Resumo
A família que tirou o filho da escola não precisa montar uma escola dentro de casa. Precisa de um caminho: saber o que ensinar em cada ano, em que ordem, com que livros e por quê; ter uma aula que aconteça mesmo quando o pai não é professor; e chegar ao fim de cada ano com um documento que mostre, a quem perguntar, que o ano aconteceu.
O Educando em Casa responde com duas coisas feitas uma para a outra. A primeira é um currículo clássico e cristão de quinze anos, do Maternal, aos 2 anos, à 3ª série do Ensino Médio, aos 17, com 36 semanas por ano e 14.818 lições escritas, todas com flashcards. A segunda é a plataforma em que ele vive, feita para que o pai conduza a aula, registre o dia falando e chegue a dezembro com o ano documentado.
O currículo se apoia em três pilares: a Base Nacional Comum Curricular como esqueleto, que garante a cobertura; a cosmovisão cristã como filtro, que decide o que entra e afirma o contraponto; e o método clássico, o Trivium somado a Charlotte Mason, com livros vivos, lições curtas, narração, cópia, memorização, hábitos e beleza. A história do mundo é contada em ordem, como uma história só. A criança aprende inglês pela fala, espanhol toda semana e latim a partir dos 8 anos, e quase toda lição existe também em inglês, com narração em áudio.
Esta tese defende essas escolhas, uma a uma, e termina com as objeções e os limites, porque um método que não diz o que não faz não merece confiança.
A família que tirou o filho da escola forma uma pessoa inteira quando ensina, em casa, a verdade de Deus e do mundo como uma história só, na ordem em que a mente cresce, e quando tem nas mãos um currículo pronto de quinze anos e ferramentas que transformam cada dia vivido em registro e cada ano cumprido em documento.
O problema
A escola saiu de casa, e o mapa ficou com ela
A decisão mais difícil já foi tomada. A família tirou o filho da escola e atravessou as primeiras semanas. Agora vem a segunda-feira seguinte, e mais quinze anos delas.
A escola, boa ou ruim, tinha um mapa: o que cada série estuda, em que ordem e com que livro. O mapa não veio junto. Sem ele, a família cai em uma de três tentações: reproduzir a escola em casa, com apostila e prova toda semana; improvisar, sem saber o que ficou de fora; ou entregar a criança a um aplicativo que ensina sozinho. A primeira cansa, a segunda deixa buracos e a terceira tira do pai o lugar que é dele.
O material pronto carrega uma filosofia
Muito do material escolar traz uma filosofia que não aparece na capa. O documento que serviu de base ao filtro do currículo resume: as divergências com a educação oficial estão "na filosofia de fundo (construtivista, sociointeracionista e secularista) que rege o documento oficial". Os efeitos são concretos. Na alfabetização, a escrita espontânea e a adivinhação pela figura são, dizem os documentos, "a razão de tantas crianças chegarem ao 3º ano escrevendo 'ezcola'". Na História, a organização por temas faz a criança "conhecer a Revolução Industrial antes de saber quem foi Moisés". A família que saiu da escola para proteger a formação do filho muitas vezes compra de volta, na apostila, a visão de mundo de que quis se afastar.
O pai não é professor, e não precisa ser
O pai e a mãe raramente estudaram pedagogia e quase nunca têm a manhã livre para preparar aula. Precisam de uma lição que funcione lida em voz alta, de um gabarito que explique o que fazer quando a criança erra e de alguém que fale o inglês que talvez eles não falem. Os documentos resumem a exigência: "Lição com texto é auto-suficiente: o pai lê em voz alta e a aula acontece, mesmo sem nenhum livro em casa."
O ano precisa deixar prova
Em 2018, no Recurso Extraordinário 888.815 (Tema 822), o Supremo Tribunal Federal decidiu que a Constituição não proíbe a educação domiciliar, mas que ela depende de uma lei que a regulamente, e essa lei ainda está em discussão no Congresso. Enquanto isso, a família pode ser chamada a mostrar ao conselho tutelar, à secretaria de educação ou a um juiz que o filho está sendo educado. E a pergunta vem também da avó que duvida, e do próprio pai em dezembro. Um ano que não deixou registro evapora: o que foi vivido existiu, mas não pode ser mostrado.
A família sozinha e a criança com lacunas
Há ainda a solidão, porque a família que educa em casa muitas vezes não conhece outra por perto. E há a criança que chega da escola com um ano no papel e outro na cabeça. Sem saber em que ano o filho está de verdade, o pai começa no lugar errado.
A tese
O currículo e a plataforma funcionam porque juntam seis verdades que se reforçam.
- A verdade tem Autor, e por isso o currículo é uma história só. A história do mundo é contada em ordem, da Criação aos nossos dias, com a Bíblia como espinha, e as ciências mostram uma ordem que o homem descobre e não inventa. Quem aprende que o mundo tem sentido põe cada fato novo no lugar certo.
- A mente cresce em fases, e cada fase pede um jeito de ensinar. Até os 9 anos a criança absorve e ama repetir; aos 10 pergunta por quê; na adolescência quer se expressar. Ensinar argumento a quem ainda está enchendo a memória desperdiça a memória, e dar só fatos a quem já pergunta desperdiça a pergunta. Por isso o currículo segue o Trivium.
- A criança é uma pessoa inteira. Ela se forma pelo que ama, pelo que repete e pelo que contempla. Por isso recebe livros vivos em vez de resumos, lições curtas em vez de horas de carteira, narração em vez de prova nos primeiros anos, e tem lugar fixo para o hino, o quadro, a música, o ar livre e o trabalho da casa.
- Nada essencial fica de fora, e nada contrário à fé entra sem resposta. A BNCC garante a cobertura; o filtro garante a direção. A família precisa das duas coisas: o respaldo de um currículo completo e a certeza de que ele não desmonta, lição por lição, o que ela ensina à mesa.
- Quem ensina é o pai, e a aula precisa se sustentar nas mãos dele. Deus entregou o ensino dos filhos aos pais, e eles não precisam ser especialistas para cumpri-lo. Por isso cada lição traz o texto para ler em voz alta, o passo a passo, o gabarito que fala com o pai, a versão em inglês com áudio e os flashcards prontos.
- O que se vive precisa virar registro, e o registro precisa virar documento. O ano que não deixa rastro não pode ser mostrado a ninguém. Por isso o dia se registra falando, a lição concluída vira registro sozinha, e a plataforma entrega, com os mesmos números, a frequência, o boletim e o Livro do Ano.
O fundamento bíblico
Método sem antropologia é técnica solta. O currículo parte de uma visão cristã de Deus, do homem e do conhecimento, e é ela que decide o que se aproveita da tradição e da pesquisa.
A verdade tem Autor
A primeira lição de Bíblia do 4º ano abre com "No princípio era o Verbo" (João 1.1). O texto, dizem os documentos, "não diz que a razão é ruim. Diz que ela não é a primeira coisa que existiu". Antes da razão humana há o Logos, e por isso o mundo pode ser entendido. Daí a convicção de que a verdade "é objetiva e revelada", e não um acordo social. A criança de 4 anos aprende isso com feijões: 2 + 2 = 4 "é verdadeiro em toda parte, em todo tempo, quer alguém goste ou não".
Ao SENHOR pertence a terra e tudo o que nela se contém, o mundo e os que nele habitam. (Salmos 24.1)
Se o mundo é do Senhor, estudá-lo é conhecer a obra de Alguém. Por isso a matemática mostra uma ordem que "não foi inventada pelo homem", e a História tem "começo, meio e fim, e um Autor".
A criança é imagem de Deus e tem o coração inclinado
A criança foi criada à imagem de Deus (Gênesis 1.27) e merece o melhor da cultura humana. Mas o coração humano é enganoso (Jeremias 17.9). A antropologia dos quinze anos é esta: o homem foi criado bom, caiu e pode ser redimido. Por isso o currículo cultiva hábitos com firmeza e gentileza, e recusa tanto a ideia de que a criança é boa por natureza quanto a de que é só um problema a controlar.
O ensino dos filhos foi entregue aos pais
Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. (Deuteronômio 6.6-7)
O mandamento foi dado ao pai e à mãe, no ritmo comum da vida. Paulo o repete quando manda criar os filhos na disciplina e na admoestação do Senhor (Efésios 6.4). Daí o princípio: "A autoridade central é a família e a Palavra de Deus", e não o Estado nem o coletivo.
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (Provérbios 22.6)
Por isso a plataforma põe o pai no centro, e não uma tela. As lições falam com ele, e a atividade de tela da criança termina sempre num caderno.
Cresce-se em etapas
Do próprio Jesus menino a Escritura diz que crescia "em sabedoria, estatura e graça" (Lucas 2.52). Paulo lembra que, quando menino, pensava como menino (1 Coríntios 13.11), e Hebreus distingue o leite do alimento sólido:
Mas o alimento sólido é para os adultos, para aqueles que, pela prática, têm as suas faculdades exercitadas para discernir não somente o bem, mas também o mal. (Hebreus 5.14)
O Trivium não é teoria estranha à fé. É a observação de que a criança recebe primeiro, depois pergunta e depois fala, e de que cada etapa prepara a seguinte.
Guardar a Palavra, contemplar o belo, cultivar o jardim
O salmista guarda a Palavra no coração para não pecar (Salmos 119.11), e Paulo pede que a palavra de Cristo habite ricamente na igreja, com salmos, hinos e cânticos (Colossenses 3.16). A memorização é, para a fé cristã, um ato de amor: o que se sabe de cor acompanha a pessoa quando o livro não está por perto. Por isso cada ano tem versículo e hino do mês.
Paulo manda pensar em tudo o que é verdadeiro, respeitável, justo, puro e amável (Filipenses 4.8), e o currículo dá à criança o quadro grande, a música grande e o livro que "fira a imaginação". Lembra também que o primeiro homem que a Bíblia diz ter sido cheio do Espírito de Deus, Bezalel, recebeu esse dom para criar (Êxodo 31.1-5).
Tomou, pois, o SENHOR Deus ao homem e o colocou no jardim do Éden para o cultivar e o guardar. (Gênesis 2.15)
Antes da queda já havia trabalho. Por isso "o trabalho do lar é currículo", e o estudo da natureza ensina mordomia sem pânico.
De Babel a Pentecostes, e a fé que pensa
As línguas se multiplicaram como juízo em Babel (Gênesis 11) e foram reunidas como dom em Pentecostes (Atos 2). "Aprender a língua do outro é desfazer um pouco de Babel: é atravessar a ponte para amar o próximo."
A Escritura manda estar pronto para dar a razão da esperança (1 Pedro 3.15), e Paulo discutiu com os filósofos no Areópago (Atos 17), cena que abre a 1ª série do Ensino Médio. Por isso a aluna lê Marx e Nietzsche na fonte e responde de dentro da fé: a verdade não precisa de proteção contra perguntas, precisa de quem saiba respondê-las.
Os três pilares
| Pilar | Documento de base | Função |
|---|---|---|
| Esqueleto temático | Base Nacional Comum Curricular, versão final de 2018 | Garantir cobertura acadêmica e respaldo legal, e nada mais |
| Filtro ético | Análise Crítica da BNCC / Cosmovisão Cristã | Tirar o construtivismo social, o relativismo, a luta de classes, o materialismo e o sincretismo |
| Método | Charlotte Mason e o Trivium de Susan Wise Bauer, a partir de Construindo Currículo Home School | Livros vivos, lições curtas, narração, hábitos e respeito às fases da mente |
A BNCC como esqueleto, e nada mais
"A BNCC é usada apenas como esqueleto temático, para garantir cobertura acadêmica e respaldo legal. O conteúdo, o método e a cosmovisão são clássicos e cristãos." Todo bloco de matéria declara os códigos da BNCC que cobre, como prova de cobertura, e não como fonte do conteúdo. Os códigos foram conferidos no índice oficial, e não citados de memória. A plataforma os mostra na página de cada ano e na ficha de cada lição, para que a família possa apontar qual habilidade oficial aquela aula cumpre.
Onde a BNCC não prevê uma matéria, o currículo a acrescenta e diz isso: a Bíblia na Educação Infantil, "a base de tudo"; o Latim e a Lógica; o trabalho manual, "insubstituível"; o inglês antes do 6º ano e o espanhol. O esqueleto garante que nada essencial fique de fora, e faz o currículo falar a língua do documento que as autoridades conhecem.
O filtro que tira e o filtro que afirma
O filtro trabalha em cinco eixos: a identidade como construção só social, o relativismo moral, a história como luta de classes, o materialismo como explicação única e o sincretismo que iguala todas as fés. Sai a escrita espontânea como método; sai o cardápio e a tirinha como material central da língua; sai a herança cristã lida só por suas falhas; sai o ativismo infantil como finalidade do estudo; sai o jogo eletrônico como conteúdo de Educação Física.
Mas o filtro não é só tesoura. "A aula afirma o contraponto." A escravidão entra, e é chamada "pecado contra o próximo", com a ideologia racial "explicitamente rejeitada como falsa". O Holocausto é "olhado de frente". A eugenia e o racismo científico entram inteiros no Ensino Médio: "Esta casa não filtra isso: afirma." Os temas da BNCC entram; muda a postura: "Debate, não militância."
Para os livros, o currículo usa o Termômetro de cosmovisão, uma régua de cinco cores, do vermelho, contrário à fé, ao azul, alinhado a ela. A cor de um livro é a do seu pior eixo, e não a média, porque um livro excelente em quatro pontos e corrosivo em um continua corrosivo.
O método: Trivium e Charlotte Mason
O Trivium, na forma que Susan Wise Bauer deu à educação clássica em casa, organiza os anos pelas fases da mente. Charlotte Mason, educadora inglesa do século XIX, dá o jeito de cada dia: livros vivos, lições curtas, narração, hábitos e contato direto com a natureza, a arte e a música. O Trivium diz o que cada idade pede; Mason diz como servir isso a uma criança sem esmagá-la.
O método clássico e cristão
O Trivium por idade
| Fase | Anos | A criança | O que se faz |
|---|---|---|---|
| Gramática | Da Pré-escola ao 4º ano (o Maternal é a Gramática antes da Gramática) | "Absorve, memoriza, ama repetição" | "Encher a mente de fatos, histórias, cânticos, versículos" |
| Lógica | Do 5º ao 8º ano | "Questiona, argumenta, quer saber 'por quê'" | "Ensinar a pensar: causa, consequência, argumento, refutação" |
| Retórica | Ensino Médio, com o 9º ano como passagem | "Quer se expressar e persuadir" | "Ensinar a falar e escrever com beleza e verdade" |
A Lógica começa no 5º ano, e não no 6º, porque é aos 10 anos que a pergunta "por quê" chega com força. A regra de ouro da fase da Gramática é "narrativa antes de argumento": antecipar a defesa de uma ideia, respondendo a uma objeção que a criança não fez, "ensina que a coisa precisa de defesa". Por isso o mesmo assunto se escreve diferente em cada fase.
Uma história só, contada três vezes
A BNCC organiza a História por temas, o que faz a criança "conhecer a Revolução Industrial antes de saber quem foi Moisés". O currículo a organiza em ordem: "Aqui a história tem começo, meio e fim, e um Autor." A história do mundo passa três vezes pela vida da criança: na Gramática ela a ouve e narra; na Lógica ela a julga, com fonte primária; no Ensino Médio ela a pensa, pela filosofia e pelos grandes livros. O Brasil corre ao lado.
| Ano | A história do mundo | O Brasil |
|---|---|---|
| 1º | Antiguidade: da Criação à queda de Roma | A minha família e a minha terra |
| 2º | Idade Média: de 476 a 1453 | Os povos indígenas e a chegada dos portugueses |
| 3º | Renascimento, Reforma e Descobrimentos: de 1453 a 1750 | Capitanias, engenhos, bandeirantes e missões |
| 4º | Iluminismo e revoluções: de 1750 a 1889 | Independência, Império, abolição |
| 5º | Era contemporânea: de 1889 aos nossos dias | República, imigração, guerras, o Brasil de hoje |
| 6º | Antiguidade, segunda volta | Os primeiros povos e o território antes de 1500 |
| 7º | Da Idade Média ao Novo Mundo | A formação do Brasil colonial |
| 8º | Iluminismo e as independências | Independência, Império, Segundo Reinado, Guerra do Paraguai |
| 9º | O mundo em que vivemos: do século XX aos nossos dias | República, era Vargas, ditadura, redemocratização |
| Ensino Médio | 1ª série: Antiguidade e Idade Média; 2ª: do Renascimento ao Iluminismo; 3ª: do século XIX a hoje | Estudado em cada período |
Uma linha do tempo de papel pardo acompanha a criança e "nunca recomeça: ela emenda, ano após ano".
As ciências na ordem do olhar
As Ciências seguem "um ramo por ano, na ordem em que a criança consegue observar. Vida primeiro (dá para ver e tocar), depois a Terra e o céu, depois a matéria, depois as forças." O Fundamental II faz a segunda volta, e o Ensino Médio separa Física, Química e Biologia. O método científico é honesto desde a Pré-escola: "Não afirmamos o que não vimos." Toda experiência tem previsão escrita antes e o limite do modelo declarado depois ("o vulcão mostra a forma, não a causa"), e no 9º ano a regra vira linguagem: "'Isso foi observado' e 'isso foi inferido a partir de' são frases diferentes."
Os princípios permanentes
Os princípios que atravessam os quinze anos vêm em boa parte de Charlotte Mason:
- "A criança é uma pessoa inteira, não um recipiente de fatos nem um projeto político."
- "Livros vivos, não livros mortos. Literatura que fira a imaginação, no lugar de apostilas resumidas."
- "Lições curtas e atenção total. Melhor 10 minutos de atenção plena do que 40 de presença vazia."
- "Narração no lugar de prova. A criança conta o que entendeu; isso revela mais que qualquer teste."
- "Ar livre todos os dias. A natureza é o primeiro laboratório e a primeira catedral."
- "O trabalho do lar é currículo, não interrupção do currículo."
Lições curtas e livros vivos
"Pare a lição enquanto a criança ainda quer mais. O tédio é o inimigo, não a falta de tempo." A lição formal cresce de 45 a 60 minutos aos 4 anos a cerca de cinco horas no Ensino Médio, sempre em blocos, porque "o que cansa criança não é o total do dia, é o bloco longo".
Livro vivo é o que tem "linguagem rica (não simplificada), história com começo, meio e fim, conflito moral real, e beleza". Os contos entram nas versões originais, porque neles "o lobo é perigoso de verdade" e "a coragem custa alguma coisa". E lê-se para a criança acima do nível dela, porque ela "entende ouvindo muito antes de conseguir ler".
Narração, cópia e ditado
Depois de toda leitura de História e de Ciências, a criança "conta tudo o que consegue lembrar, com as próprias palavras, sem interrupção do adulto. Isso constrói memória, sequência lógica e vocabulário de uma só vez." A pergunta é "Me conta o que aconteceu", e depois silêncio. Nos anos iniciais, a narração é "a prova que substitui a prova".
A alfabetização é por fônica sistemática, sem método misto. A cópia é a prática diária de escrita: um versículo, um verso, uma frase bela. "Caligrafia, ortografia e memória, na mesma tarefa", e "duas linhas bem-feitas valem mais que dez corridas". O ditado fecha o ciclo: a palavra errada "nunca vira nota nem sermão. Só vira lista da semana seguinte."
Memorização, hábitos e virtudes
A memorização é "a ginástica da mente", e a meta cresce: de 10 cantigas, 5 versículos e 2 poemas aos 4 anos a 15 poemas e dois capítulos bíblicos aos 10, e a um discurso histórico inteiro no 8º ano. Vale para a matemática: "quem não sabe 7 + 5 de cor gasta a cabeça inteira na conta".
Cada ano tem as suas virtudes-âncora, escolhidas pelo que a idade exige: aos 5 anos, diligência e domínio próprio, "porque são o que sustenta a alfabetização"; aos 13, pureza; aos 17, o serviço. O hábito é tratado como "amor e segurança", e "não adestramento por medo nem barganha por recompensa".
Diagramação de frases
A análise sintática é visual, pelo diagrama de Reed-Kellogg, em que a frase vira desenho: sujeito e verbo sobre uma linha, cada complemento no lugar que ocupa. "Não é enfeite: é o que transforma regra abstrata em estrutura que a criança vê." O método é um só, do 1º ano ao Ensino Médio, e toda frase analisada "vem de livro real, nunca inventada de propósito".
Hino, quadro, música e ar livre
Cada ano tem um versículo e um hino por mês, e um pintor e um compositor por trimestre. O hino é cantado todo dia na Hora da Mesa, o devocional em família que abre a manhã. O estudo de quadro é breve: "Fique 2 minutos em silêncio, olhando. Vire a imagem para baixo. Peça: 'me conta o que você viu.'" A razão: "A criança precisa não só de fazer arte, mas de ver arte grande e ouvir música grande." E o ar livre é diário, com o Caderno da Natureza, "o documento mais valioso do ano" na Pré-escola.
Debate, pergunta aberta e projetos
A partir do 5º ano há Debate às sextas, e "só refuta quem primeiro resumiu o outro lado a contento". Cada ano deixa "uma pergunta grande sem resposta", respondida por escrito em dezembro. E cada semestre termina num projeto apresentado à família: são 60 ao longo dos quinze anos, todos nascidos "do que o ano já estuda".
Avaliação e calendário
"Aos 4 anos não se aplica prova. Avalia-se por evidência acumulada": o Caderno da Natureza, a narração, a recitação e o portfólio. Quando a criança não rende, olha-se primeiro para a lição: "a lição está longa demais, a criança está com sono ou fome, ou faltou ar livre. Nesta ordem." O ano tem 36 semanas e 180 dias, em três trimestres de 12 semanas, no modelo do Simply Charlotte Mason ("4 Ways to Schedule Your Homeschool Year").
O currículo, ano a ano
São quinze anos, todos com 36 semanas. Cada ano tem um nome, uma fase do Trivium, um fio condutor, virtudes-âncora, pintores, compositores, hinos, leituras, marcos e projetos. Na plataforma, o quadro "As disciplinas" de cada ano mostra, matéria por matéria, a referência da BNCC, a abordagem, o que foi filtrado e o que se espera ao fim.
| Ano | Idade | Nome do ano | Fase | Lições por semana |
|---|---|---|---|---|
| Maternal | 2 e 3 anos | O Tempo do Colo e das Primeiras Palavras | A Gramática antes da Gramática | 10 |
| Pré-escola I | 4 anos | O Ano do Assombro e da Obediência Alegre | Gramática | 20 |
| Pré-escola II | 5 anos | O Ano em que as Letras Viram Palavras | Gramática | 25 |
| 1º ano | 6 anos | O Ano da Leitura Corrente | Gramática | 30 |
| 2º ano | 7 anos | O Ano dos Castelos e das Caravelas | Gramática | 30 |
| 3º ano | 8 anos | O Ano das Descobertas | Gramática (fim) | 30 |
| 4º ano | 9 anos | O Ano das Revoluções | Da Gramática para a Lógica | 30 |
| 5º ano | 10 anos | O Ano em que se Aprende a Perguntar | Lógica | 30 |
| 6º ano | 11 anos | O Ano das Origens | Lógica | 30 |
| 7º ano | 12 anos | O Ano das Travessias | Lógica | 30 |
| 8º ano | 13 anos | O Ano das Independências | Lógica | 30 |
| 9º ano | 14 anos | O Ano do Mundo em que Vivemos | Da Lógica para a Retórica | 30 |
| 1ª série do Ensino Médio | 15 anos | O Ano da Retórica Antiga | Retórica | 29 |
| 2ª série do Ensino Médio | 16 anos | O Ano da Razão Moderna | Retórica | 29 |
| 3ª série do Ensino Médio | 17 anos | O Ano da Resposta | Retórica | 29 |
Somadas, são 14.818 lições escritas, todas com flashcards.

Maternal (2 e 3 anos): O Tempo do Colo e das Primeiras Palavras
Fase e fio. É a Gramática antes da Gramática: "o adulto é o currículo; a criança nunca 'faz lição'". O ano segue nove temas mensais, na ordem em que o mundo se abre para uma criança pequena: eu e a minha casa, o meu corpo, os animais, a comida e a mesa, a natureza lá fora, cores e formas, sons e música, os outros, as histórias. São 10 lições por semana, vividas em momentos de dois a cinco minutos.
O que se vive. Não há matérias; há eixos: linguagem e escuta, corpo e movimento, sensório e mundo, traços, sons e cores, fé e hábitos, inglês pela canção e espanhol. Cada eixo está amarrado a um campo de experiência da BNCC para os 2 e 3 anos. A rotina é previsível, do acordar à oração da noite, e a fé entra por ela: "histórias bíblicas curtas, um cântico, uma oração simples, o 'obrigado'". O brincar livre tem lugar próprio, a masterly inactivity de Charlotte Mason: o adulto por perto, sem dirigir tudo.
Obras. Cantigas como "Cabeça, ombro, joelho e pé"; em inglês, Head, shoulders, knees and toes e Twinkle, twinkle little star. São 18 frases e cantigas de inglês no ano, todas com áudio. Os flashcards são da semana, uma carta por dia, porque a criança não lê.
Ao fim do ano. Aos 3 anos, fala frases completas, reconta uma história em uma frase, recita duas ou três rimas de cor, obedece de primeira na maior parte das vezes e diz "obrigado" e "desculpa". Em inglês, responde a comandos simples e nomeia de oito a dez palavras. Em espanhol, ouve "¡A comer!" e vai para a mesa.
Por quê. "2 e 3 anos não é escola": é "exposição, não instrução". O ensino formal nessa idade roubaria o que a criança mais precisa, porque "sono, colo e presença são currículo". Por isso duas habilidades da BNCC ficam de fora de propósito: o traçado de letras, que Charlotte Mason não introduz antes dos 4 anos, e o registro escrito de quantidade, "por decisão de método, não por lacuna". As línguas entram pela canção porque a criança pequena aprende língua de ouvido, como aprendeu a primeira. O Maternal entrega uma criança com ouvido treinado, gosto pela rima e hábitos formados: "Sem isso, a Pré I começa empurrando; com isso, ela flui." Os projetos têm o tamanho da idade: "O livro do meu corpo e da minha casa" e "O jardim no copinho".
Pré-escola I (4 anos): O Ano do Assombro e da Obediência Alegre
Fase e fio. Gramática. "A criança de 4 anos é uma esponja", dizem os documentos, e pedem: "Não a apresse para a análise: encha-a de coisas boas." O fio: aos 4 anos "não se alfabetiza: se prepara o solo". É um ano "de ouvido, olho, mão e coração", com 20 lições por semana. Virtudes: obediência alegre, atenção, veracidade e gratidão.
O que se estuda. Bíblia e Formação de Caráter, a "disciplina-fundamento"; Linguagem; Matemática; História; Geografia; Ciências e Estudo da Natureza; Artes Visuais e Música; Corpo, Movimento e Saúde; Trabalho Manual e Artes do Lar; Inglês; Espanhol. São 36 histórias bíblicas em ordem, da Criação ao filho pródigo, e 12 versículos. Uma letra por semana, com nome, som e traçado. A matemática é feita "com objetos reais nas mãos", e "nada de folhinha de exercício". A História começa na família: a linha da vida, a árvore genealógica, a entrevista com o avô.
Obras e leituras. Millet, van Gogh e Almeida Júnior; Vivaldi, Saint-Saëns e Villa-Lobos; hinos como "Castelo Forte". Leituras: uma Bíblia ilustrada "com texto fiel", Bunyan, os contos de Grimm, Andersen e Perrault, Esopo, Beatrix Potter, Cecília Meireles e O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa.
Ao fim do ano. Conhece as 26 letras e o som de pelo menos 15; escreve o próprio nome; narra com começo, meio e fim; sabe 10 cantigas, 5 versículos e 2 poemas; conta até 30; tem um Caderno da Natureza com 20 desenhos. Em inglês, entende cerca de 40 frases e usa de 8 a 12 sozinha. Em espanhol, umas 28.
Por quê. "O erro mais comum do homeschool moderno é antecipar a leitura formal e queimar o amor pelos livros." Por isso a letra vem com calma e o livro vem em abundância, lido pelo adulto acima do nível da criança. O material é o extraordinário: "O cotidiano ela já tem de graça; o que a escola deve dar é o extraordinário." A matemática com feijões mostra que o mundo tem ordem e que essa ordem foi "descoberta" pelo homem, e não inventada. A História segue três regras que valem para os quinze anos: "Cronologia, não fragmento. Biografia, não estrutura social. Providência, não acaso nem dialética." Não há prova nem atividade de tela, coerente com um ano de objetos reais nas mãos: a criança é avaliada pelo que produz, narra e recita. Os projetos são "O caderno do naturalista" e "O teatro de Pedro Coelho".
Pré-escola II (5 anos): O Ano em que as Letras Viram Palavras
Fase e fio. Gramática: a criança "ainda ama repetir, mas já quer produzir". O fio: "Do som isolado à primeira frase lida sozinha. Fônica sistemática, escrita à mão de verdade e a certeza de que o mundo tem ordem." São 25 lições por semana. Virtudes: diligência, domínio próprio, honra e ordem.
O que se estuda. Bíblia e Caráter, de Moisés a Pentecostes; Fônica, Leitura e Escrita; Matemática; História; Geografia; Ciências e Natureza; Artes e Música; Corpo e Movimento; Trabalho Manual e Lar; Inglês; Espanhol. Uma família silábica por semana, dos sons simples aos dígrafos (CH, LH, NH) e encontros (BR, CR), e leitura de frases nas últimas seis semanas. Começa a cursiva. A criança monta "O Livro de Palavras", "o primeiro livro que ela lê sozinha, escrito por ela". Faz o Ditado de Caixinha e conta com a Caixa das Dezenas. É o primeiro ano com atividade de tela.
Obras e leituras. Monet, Bruegel e Portinari; Mozart, Tchaikovsky (O Quebra-Nozes) e Prokofiev (Pedro e o Lobo); hinos como "Sublime Graça". Leituras: a Bíblia de Êxodo a Atos, Esopo, La Fontaine, Manuel Bandeira e Pinóquio, de Collodi, no original.
Ao fim do ano. Lê frases curtas com sentido; escreve o nome completo em cursiva e palavras ditadas; sabe 6 poemas e 12 versículos; conta até 100; soma e subtrai até 10; conta 36 histórias bíblicas em ordem. Em inglês, cerca de 75 frases, e responde "sem tradução no meio". Em espanhol, umas 55.
Por quê. "Ler é decodificar, e quem decodifica bem lê o resto da vida." A fônica é diária porque "três dias por semana não alfabetiza ninguém", e sistemática porque a alternativa, a escrita espontânea e a adivinhação pela figura, produz o aluno que escreve "ezcola" no 3º ano. No Ditado de Caixinha, a criança confere, o adulto não corrige por cima e a palavra errada volta na semana seguinte: o erro se conserta pela repetição do certo. Na Bíblia, "não são 36 historinhas soltas com moral no fim: é uma história só, com um Autor, e ela percebe isso", e o caráter "se forma por dentro da narrativa, não por sermão colado no fim". Na matemática, "concreto antes de simbólico, sempre". Os projetos são "Afunda ou flutua?" e "Meu primeiro livro".
1º ano (6 anos): O Ano da Leitura Corrente
Fase e fio. Gramática: a criança "absorve fatos com uma facilidade que nunca mais terá". O fio: "Ela sai lendo. E enquanto aprende a ler, atravessa a história do mundo da Criação à queda de Roma, aprende o próprio corpo por dentro e soma até cem." São 30 lições por semana. Virtudes: perseverança, atenção, verdade e serviço.
O que se estuda. Bíblia e Caráter, Língua Portuguesa, Matemática, História, Geografia, Ciências, Artes e Música, Educação Física, Trabalho Manual e Lar, Inglês e Espanhol. A Antiguidade vem em ordem, da Criação ao Egito, a Abraão, a Moisés, à Grécia e a Roma, com narração, linha do tempo e uma "biografia da semana". Os fatos básicos até 20 são treinados "em jogo, nunca em folha". As Ciências estudam o corpo humano e os animais. Quatro atividades seguram o ano: a Linha do Tempo do Mundo, o Caderno de Narração, que "substitui prova", a Leitura de Todo Dia e o Caderno de Cópia.
Obras e leituras. Fra Angelico, Rafael e a arte do Egito e da Grécia; Bach, Händel e Haydn; hinos como "Quão Grande És Tu". Leituras: a Bíblia, de Gênesis a Josué e os Evangelhos; A História do Mundo para Crianças, de Susan Wise Bauer, volume 1; mitos gregos; Heródoto adaptado; os Salmos 1, 23 e 100; As Crônicas de Nárnia.
Ao fim do ano. Lê com fluência e entende; escreve um parágrafo de três a cinco frases; reconhece substantivo, adjetivo e verbo; sabe 8 poemas e 12 versículos, entre eles o Salmo 1; soma e subtrai até 20 de cabeça; narra a história do mundo da Criação a Roma. Em inglês, lê as frases-foco e copia uma por semana. Em espanhol, diz "Me llamo..., tengo seis años".
Por quê. "Fônica até o fim, sem método misto": a fluência "não se ensina, se pratica". Na matemática, "quem não sabe 7 + 5 de cor gasta a cabeça inteira na conta e não sobra nada para o problema", e a ordem é "concreto, depois pictórico, depois abstrato". A Bíblia é a "espinha da História do mundo": o povo de Israel aparece entre assírios, gregos e romanos "porque foi ali que ele viveu", e a criança aprende que a fé e a história aconteceram no mesmo mundo. Até a Educação Física tem razão moral: "perder bem é conteúdo". Os projetos: "Recito de cor", "Do que as coisas são feitas", "O conto que eu leio" e "O germe invisível".
2º ano (7 anos): O Ano dos Castelos e das Caravelas
Fase e fio. Gramática. "Começa a aparecer a pergunta 'por quê'. Responda, e volte para os fatos." O fio: "Mil anos de Idade Média, o encontro que criou o Brasil, a multiplicação e a planta estudada da raiz ao fruto." Virtudes: fidelidade, coragem, generosidade e reverência.
O que se estuda. As matérias do 1º ano. A Bíblia caminha com a Idade Média: "os monges que copiaram as Escrituras à mão, as catedrais", Francisco de Assis e Tomás de Aquino. O Brasil é o dos povos indígenas e da chegada dos portugueses. A ortografia é ensinada "por regra e fixada por cópia do certo", e a gramática "com definição curta e cinquenta exemplos". A matemática chega ao reagrupamento com material dourado e às tabuadas do 2, do 5 e do 10. A botânica é estudada "com a planta na mão". Começa a narração escrita.
Obras e leituras. Giotto, van Eyck, Eckhout e Frans Post; o canto gregoriano, Hildegard von Bingen, Vivaldi e o Padre José Maurício; hinos como o "Te Deum". Leituras: Bauer, volume 2; a Carta de Pero Vaz de Caminha adaptada; lendas indígenas; Robin Hood e o Rei Artur; O Hobbit.
Ao fim do ano. Lê um capítulo sozinha e conta o que leu; escreve um parágrafo com começo, meio e fim; sabe 10 poemas; lê números até mil; faz o reagrupamento "com clareza do porquê"; explica "quem já vivia no Brasil antes de 1500 e como". Em inglês, copia de duas a três frases por semana e sustenta uma troca de três falas. Em espanhol, recita poemas de José Martí e de Rafael Pombo.
Por quê. É o ano em que "a criança vê que a fé construiu civilização, o que a BNCC omite ao tratar religião como folclore". O encontro de 1500 é contado "com honestidade: o que os povos indígenas tinham, o que os portugueses trouxeram, o que se ganhou e o que se perdeu. Sem lenda dourada e sem lenda negra." Aos 7 anos a criança aprende que a história de um povo tem luz e sombra, e que as duas se contam. O material dourado existe porque "a criança precisa VER a dezena se formar", e a tabuada vem "em jogo e em canto, nunca em folha de repetição". Os projetos: "O cavaleiro e a lenda", "Do que a planta precisa", "O mapa do Peregrino" e "O relógio de sol".
3º ano (8 anos): O Ano das Descobertas
Fase e fio. Fim da Gramática, o "último ano de absorção pura". O fio: "Renascimento, Reforma, caravelas e o Brasil que nasce. Entra o Latim, entra a fração e o céu vira objeto de estudo." Virtudes: honestidade intelectual, constância, justiça e humildade.
O que se estuda. As matérias do 2º ano, mais o Latim. A Bíblia é a Bíblia "traduzida para as línguas do povo, impressa por Gutenberg"; Lutero, Calvino e a Contrarreforma entram "sem caricatura de nenhum lado". O Brasil é o das capitanias, dos engenhos, dos bandeirantes e das missões, e a escravidão é tratada de frente. O Latim começa do zero, com aqua, terra, silva. Em Português, sujeito e predicado, e o parágrafo com frase-tema. Na Matemática, as frações. Nas Ciências, a Terra, o céu, o diário do tempo e a observação da Lua.
Obras e leituras. Michelangelo, Rembrandt e Aleijadinho; Bach, Mozart e Lobo de Mesquita; hinos como "Grande É a Tua Fidelidade". Leituras: Bauer, volume 3; biografias de Gutenberg, Lutero, Galileu, Zumbi e Aleijadinho; Robinson Crusoé; os Contos de Shakespeare de Charles e Mary Lamb; Dom Quixote para crianças.
Ao fim do ano. Lê um livro de capítulos por mês e o resume; sabe 12 poemas e um salmo inteiro; conhece 150 palavras latinas "e o português que veio delas"; explica a Reforma e a Contrarreforma sem caricatura. Em inglês, encena um diálogo de três falas e lê uma fábula curta. Em espanhol, narra uma fábula inteira.
Por quê. "Latim aos 8 anos não é erudição: é engenharia reversa do português." A estrutura declinada "ensina o que é sujeito e objeto melhor que qualquer aula de análise sintática", e o último ano de absorção é a hora de guardar as cento e cinquenta primeiras raízes, que vão abrir o português pelo resto da vida. A redação começa "pelo parágrafo bem construído", e não pelo "texto livre", que "ensina a escrever solto e depois não se desfaz". A Reforma ensina a falar do outro lado sem caricatura, porque honestidade intelectual é virtude do ano. A escravidão é tratada "sem transformar a aula em ativismo nem em omissão envergonhada", porque "justiça começa em chamar errado o que é errado". Os projetos: "O diário de Robinson", "O telefone de barbante", "Shakespeare na sala" e "O calendário da Lua".
4º ano (9 anos): O Ano das Revoluções
Fase e fio. Da Gramática para a Lógica. "Isso não é rebeldia: é a fase da Lógica batendo à porta. Dê a ela causas e consequências para mastigar." É o ano-modelo: o padrão de lição que os outros anos seguem nasceu nele. O fio: "O mundo vira de cabeça para baixo entre 1750 e 1889, e o Brasil nasce como nação no meio disso." A pergunta aberta: se o homem é bom por natureza, por que a Revolução Francesa terminou no Terror? Virtudes: prudência, coragem moral, gratidão e domínio da língua.
O que se estuda. As matérias do 3º ano. A primeira lição de Bíblia é "No princípio era o Verbo". O Latim chega à 2ª declinação, a três tempos verbais e a 300 raízes. A criança escreve uma redação de três parágrafos por semana e analisa objeto direto e indireto. A Matemática trabalha fração e decimal. A História usa causa e consequência como método: Iluminismo, Revolução Francesa, Independência, Império e abolição. As Ciências estudam a matéria numa "bancada de verdade com material de cozinha".
Obras e leituras. Jacques-Louis David, Debret, Victor Meirelles e Pedro Américo; Beethoven, Carlos Gomes e Chopin; o "Hino da Alegria" e o "Aleluia" de Händel. Leituras: Bauer, volume 4; as vidas de Wilberforce, Amy Carmichael e Zumbi; Minha Formação, de Nabuco; Iracema e O Guarani, de Alencar; Fedro em latim simplificado.
Ao fim do ano. Escreve um texto de três parágrafos; identifica sujeito, predicado e objetos; sabe de cor um poema longo e um capítulo bíblico; opera frações com denominadores diferentes; estima "e confere o resultado"; discute a abolição "com honestidade histórica". Em inglês, explica seis estruturas que já usa. Em espanhol, começa o método das histórias.
Por quê. A Revolução Francesa "disse que o homem é bom e a instituição o corrompe; a Escritura diz que o coração é enganoso", e a criança vê no que cada premissa deu, "e isso é apologética feita com história, não com discurso". O Evangelho de João abre o ano do Iluminismo porque mostra que a razão "não é a primeira coisa que existiu". Na Matemática, "estimativa antes do cálculo, sempre". Na Arte, a criança aprende a perguntar pela fonte: Independência ou Morte é de 1888 e retrata um fato de 1822. Na História, lê-se o documento: "a Lei Áurea tem duas linhas. Leia as duas." E a pergunta que fica aberta por semanas é "o melhor recurso pedagógico deste ano". Os projetos: "Carta do Nautilus", "Separar o que se misturou", "O Pequeno Príncipe e o meu planeta" e "A teia do quintal".
5º ano (10 anos): O Ano em que se Aprende a Perguntar
Fase e fio. Início da Lógica. A criança pergunta tudo, e o documento pede: "Não corte isso: dirija. É a matéria-prima do pensamento adulto, e ela só aparece uma vez." O fio: "De 1889 aos nossos dias, com as fontes na mesa. Argumento com prova, física com as mãos e o encerramento dos Anos Iniciais." A pergunta aberta: a sabedoria começa no temor de Deus ou na inteligência? Virtudes: honestidade intelectual, caridade no debate, responsabilidade e temperança.
O que se estuda. As matérias do 4º ano, com a Bíblia agora como Bíblia e Cosmovisão, e uma nova: Lógica e Retórica. É o primeiro ano de apologética. A criança aprende as falácias pelo nome e debate às sextas. Lê Fedro "no original adaptado, e descobre que consegue". Escreve redação de cinco parágrafos com refutação. Aprende "o que o eixo cortado esconde" num gráfico e separa a fonte primária da interpretação. Disseca um coração de boi e escreve o relatório "com as limitações declaradas".
Obras e leituras. Os impressionistas, Tarsila do Amaral e Norman Rockwell; Dvořák, Villa-Lobos (Bachianas), Copland e Morricone. Leituras: Cristianismo Puro e Simples, de C. S. Lewis; Corrie ten Boom e Bonhoeffer; O Diário de Anne Frank; a Constituição de 1988 e a Declaração de 1948; contos de Machado de Assis; Schopenhauer "como catálogo do que NÃO fazer"; Vidas Secas.
Ao fim do ano. Escreve texto argumentativo de cinco parágrafos; "sustenta uma posição num debate e refuta com respeito"; sabe 15 poemas; conhece três declinações latinas; "lê um gráfico e aponta o que ele esconde"; distingue fonte primária de secundária; conhece as leis de Newton. Em inglês, domina passado e futuro: "este é o portão para o Fundamental II". Em espanhol, aprende a perguntar "¿por qué?".
Por quê. "A criança de 10 anos discute o dia inteiro de qualquer jeito: melhor que discuta bem." A Lógica entra no 5º ano, e não no 6º, porque é aqui que a pergunta chega, e deixá-la sem ferramenta é ensinar a discutir mal. O debate tem regra moral, porque "quem só sabe caricaturar o outro lado não convence ninguém". Distinguir quando um texto descreve e quando quer convencer "é a melhor vacina contra manipulação que a escola pode dar". E a regra vale para a própria criança: "Toda afirmação forte encontra a pergunta 'como você sabe?'. Inclusive as suas." Os projetos: "Resenha crítica", "Os três estados da água", "Sarau de poesia" e "O pulmão de garrafa".
6º ano (11 anos): O Ano das Origens
Fase e fio. Lógica, no segundo ano de estudo: a pergunta "por quê" vira "ferramenta constante". O fio: "Da origem do ser humano ao limiar da Idade Média, com fonte primária na mesa, não só a história contada." Começa a segunda volta da história do mundo. Virtudes: discernimento, humildade intelectual e reverência diante da origem.
O que se estuda. As treze matérias do 5º ano, da Bíblia e Cosmovisão ao Espanhol. A Bíblia pergunta "por que a Bíblia é digna de confiança" e percorre Provérbios. O Latim chega à 4ª declinação e ao primeiro parágrafo contínuo. A Lógica ensina a definição "nem larga, nem estreita", o Caderno de Falácias e o silogismo, com duas perguntas que não são a mesma: é válido? é verdadeiro? O Português diagrama o período simples e treina fato e opinião, discurso histórico e pesquisa com citação. A Grécia é estudada perguntando "quem era incluído, quem era excluído", e a Geografia trata "o mapa como argumento". As Ciências estudam a célula, o sistema nervoso e as camadas da Terra.
Obras e leituras. A arte da Mesopotâmia, do Egito e a escultura greco-romana; Palestrina, Victoria e Monteverdi. Leituras: Gênesis, Êxodo e os Evangelhos; Bauer, volume 1, relido com outros olhos; a Ilíada e a Odisseia adaptadas; Plutarco; trechos das Confissões de Agostinho.
Ao fim do ano. Diagrama o período simples completo; faz resumo "com paráfrase (não cópia)"; aponta cinco falácias num texto real; monta um silogismo categórico; resolve equação do 1º grau; "distingue mito de fundação de hipótese científica sobre a origem humana". Em espanhol, usa o futuro e o condicional e lê o Dom Quixote adaptado.
Por quê. O Fundamental II percorre de novo a história que os Anos Iniciais contaram em cinco anos, agora comprimida e julgada: a criança que ouviu a Antiguidade aos 6 anos volta a ela aos 11 com fonte primária e lógica. A Pré-história é o teste do método: "Nunca deixe a Pré-história virar só 'o homem evoluiu': pergunte o que a ciência mede e o que ela infere." A Bíblia é estudada "de dentro da fé cristã", e o ano começa pela confiabilidade das Escrituras porque a criança vai ler Homero e os mitos ao lado de Gênesis. O filtro troca o vlog e o meme por "discurso histórico, carta e notícia impressa real". O debate ganha a sua regra: "refutar a ideia, nunca a pessoa". Os projetos: "A carta formal do leitor", "Cromatografia de caneta", "Fábula com moral" e "A Terra em camadas".
7º ano (12 anos): O Ano das Travessias
Fase e fio. Lógica, no terceiro ano de estudo, e "a Retórica formal começa a entrar: persuadir com verdade, não por truque". O fio: "Humanismo, Renascimento, Reforma, as navegações e a formação do Brasil colonial: o mundo se abre, e ela aprende a perguntar quem ganhou e quem perdeu em cada travessia." Virtudes: justiça no julgamento histórico, persuasão honesta e coragem de atravessar.
O que se estuda. As matérias do 6º ano. A Bíblia acompanha a Reforma e lê Eclesiastes. A História trata "a Igreja no Novo Mundo: missão e também erro histórico, ditos com honestidade", e o tráfico de escravizados. O Latim chega à 5ª declinação e ao subjuntivo. A Lógica ensina o silogismo hipotético, e a Retórica apresenta ethos, pathos e logos. O Português avança ao período composto. As Ciências estudam o calor, os ecossistemas brasileiros, a atmosfera e as placas tectônicas; a vacinação é "avaliada pela evidência", e o efeito estufa é "mordomia sem pânico".
Obras e leituras. A arte românica e gótica, a iluminura, os mapas e navios; Machaut, Josquin des Prez e Tallis; "A Cristo Coroai". Leituras: Reis, Profetas e Atos; Bauer, volume 2; Ivanhoé; a Carta de Caminha; as cartas de Lutero e as 95 teses.
Ao fim do ano. Diagrama o período composto; escreve texto persuasivo "identificando o próprio recurso retórico"; faz um discurso com os três apelos "com honestidade"; conhece 650 raízes latinas; distingue escravidão antiga, servidão medieval e escravidão moderna; explica o efeito estufa "sem alarmismo nem negação". Em espanhol, usa o subjuntivo e lê a Bíblia Reina-Valera.
Por quê. O 7º ano ensina a julgar o passado com justiça, e a pergunta-chave é "com que padrão eu meço isso: o de hoje ou o da época? Os dois importam, de jeitos diferentes." Na conquista da América houve "fé genuína e ganância genuína, coragem e crueldade", e o currículo diz as duas coisas, porque "a história não se filtra para conforto". A Retórica entra com freio: é "ferramenta de quem defende a verdade, nunca de quem manipula", e "emoção some se não houver razão por trás". A aluna aprende a reconhecer o recurso retórico no próprio texto, porque quem conhece a ferramenta não é enganado por ela. Nas Ciências, a atitude é "desconfiança saudável, não ceticismo automático". Os projetos: "Pesquisa com citação", "Quem guarda o calor", "Debate do livro" e "O efeito estufa no pote".
8º ano (13 anos): O Ano das Independências
Fase e fio. Último ano da Lógica: julgar "causa, consequência e legitimidade ao mesmo tempo". O fio: "Do Iluminismo às independências americanas e ao Brasil Império. O corpo muda, e este é o ano em que a puberdade entra no currículo, com honestidade biológica e o padrão bíblico da pureza." Virtudes: pureza, julgamento histórico maduro e domínio da própria voz.
O que se estuda. As matérias do 7º ano. A Bíblia lê Cantares, com "o desejo como dádiva, dentro do lugar certo", Rute, Ester e Daniel, e trata da fé na vida pública, "sem impor, sem se calar". O Latim chega à meia página, a 800 raízes e ao vocabulário jurídico e político. A Lógica fecha o ciclo com o argumento formal completo. A História cruza fontes conflitantes sobre as independências, o Império e a Guerra do Paraguai, e estuda as ideologias raciais "e por que são falsas". As Ciências estudam a eletricidade, a reprodução, a Lua e as estações. A conversa sobre o corpo acontece "individualmente com o pai ou a mãe do mesmo sexo".
Obras e leituras. Canova, Friedrich e Turner; Schubert, Mendelssohn (Sinfonia da Reforma) e Brahms (Um Réquiem Alemão). Leituras: a Declaração de Independência e a Constituição dos Estados Unidos; a Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão; Oliver Twist; O Peregrino; Nabuco.
Ao fim do ano. Domina as orações subordinadas; escreve ensaio persuasivo com evidência; "distingue viés de fonte"; recita um discurso histórico inteiro; aponta dez falácias "sem ajuda"; explica o legado da escravidão "sem anacronismo nem omissão". Em espanhol, lê três páginas sem dicionário ao lado.
Por quê. Aos 13 anos o adolescente já julga, e recebe material à altura: "Toda revolução teve gente de fé genuína e gente de ambição pura envolvida: nomeie as duas." A puberdade entra no ano em que o corpo muda, com uma regra que protege dos dois lados: "Toda pergunta sobre o corpo recebe resposta verdadeira, na medida da pergunta: nem mais, nem de menos." O filtro corta nas duas direções. Sai a contracepção como resposta neutra, e o padrão ensinado é a abstinência até o casamento, com os fatos biológicos "ensinados com honestidade completa". Mas sai também a "vergonha ou evasão diante da pergunta sobre o corpo". E a escravidão é chamada pelo nome: "pecado contra o próximo, feito imagem de Deus". Os projetos: "Duas fontes, um fato", "O circuito da casa de bonecas", "Ensaio persuasivo" e "As estações com lanterna".
9º ano (14 anos): O Ano do Mundo em que Vivemos
Fase e fio. Da Lógica para a Retórica: "Ela já argumenta bem; agora aprende a fazê-lo com beleza também." A matéria de Lógica passa a se chamar Retórica. O fio vai "da República brasileira a hoje", pela Revolução Russa, as duas guerras, a ditadura civil-militar brasileira, a redemocratização e o mundo pós-Guerra Fria, e "fecha o Fundamental com o teorema de Pitágoras, a evolução biológica examinada com rigor, e o primeiro projeto de vida escrito". Virtudes: sobriedade diante do mal real, projeto de vida com propósito e rigor com a própria ciência.
O que se estuda. As matérias do 8º ano. A Bíblia lê Romanos e trata da esperança da ressurreição e da vocação. O Projeto de Vida é escrito e apresentado à família. O Latim chega à página inteira, e a análise sintática fica autônoma. A História olha o Holocausto "de frente", estuda os totalitarismos, a ditadura, a Constituição de 1988, a ONU e os Direitos Humanos "e sua raiz na dignidade humana". As Ciências estudam o átomo, a luz, Mendel, o sistema solar e a seleção natural: "o que é observado, o que é inferido, e o relato de Gênesis ao lado".
Obras e leituras. Hopper, Rouault e a fotografia documental de Dorothea Lange, Sebastião Salgado e Robert Capa; Stravinsky, Vaughan Williams e Arvo Pärt; "Porque Ele Vive". Leituras: Vidas Secas; O Diário de Anne Frank; A Revolução dos Bichos, de Orwell; O Ateneu; a carta aos Romanos.
Ao fim do ano. Escreve texto argumentativo maduro; analisa qualquer período "com autonomia total"; tem mais de mil raízes latinas, agora "ferramenta permanente, não matéria escolar"; "lê criticamente um gráfico da mídia"; distingue "o observado do inferido em evolução biológica". Em inglês, escreve ensaio de cinco parágrafos e lê um clássico adaptado sem tradução. Em espanhol, "conversa 10 minutos em espanhol sobre a própria vida e a própria fé".
Por quê. O 9º ano revisita o século XX: "O 5º ano já narrou este trecho, na fase da Gramática. Agora, na Lógica madura, ela julga." O julgamento tem régua firme: nenhum totalitarismo recebe "simpatia seletiva", e a ditadura brasileira é estudada com a "violação de direitos humanos afirmada sem meio-termo". Os Direitos Humanos aparecem com "raiz direta na doutrina cristã da imagem de Deus". Na evolução, a aluna aprende que "o modelo muda quando a evidência muda, isso é ciência funcionando, não falhando". O ano entrega "uma aluna que já pensa formalmente", e a Retórica "vai ensiná-la a comunicar o que já sabe pensar". Os projetos: "O narrador de Vidas Secas", "Arco-íris em casa", "Clube do livro" e "Extraindo DNA do morango".
1ª série do Ensino Médio (15 anos): O Ano da Retórica Antiga
Fase e fio. Retórica, primeiro ano. Começa a terceira volta da história, "organizada por Filosofia + Grandes Livros": a Antiguidade e a Idade Média, a filosofia antiga, César e Cícero em latim, o Barroco e o Arcadismo. São 29 lições por semana. Virtudes: sabedoria diante da ideia grega, beleza a serviço da verdade e autonomia com prestação de contas.
O que se estuda. Bíblia e Cosmovisão; Latim; Filosofia, que entra agora; Língua Portuguesa e Literatura; Inglês; Matemática; Física, Química e Biologia, com um módulo de Prática Científica; Geografia; História e Ciências Humanas; Artes e Música; Projeto e Lar; Espanhol. A Bíblia abre com "Atos 17: Paulo entre os filósofos" e com o Logos de João 1. A Filosofia percorre os pré-socráticos, Sócrates, Platão e Aristóteles, e a aluna escreve um diálogo socrático próprio. A redação chega à dissertação de vestibular, com repertório "construindo o próprio, não decorando pronto". Darwin é lido num trecho da fonte, com Gênesis 1 e 2 ao lado, e a eugenia e o racismo científico são "estudados de frente". O debate vira Seminário.
Obras e leituras. A arquitetura clássica, Velázquez e Vermeer; Purcell, Corelli e o Miserere de Allegri. Leituras: a Apologia de Sócrates; a Ética a Nicômaco; as Confissões; o Sermão da Sexagésima, de Vieira; o Inferno de Dante.
Ao fim do ano. Escreve dissertação "nível ENEM/vestibular"; lê uma obra barroca e uma árcade em edição integral; conduz um seminário; traduz um trecho real de César ou de Cícero; explica "o salto dos pré-socráticos (do mito ao logos)"; sustenta um debate político "com argumento formal". Em inglês, lê Lewis ou Chesterton no original. Em espanhol, o Cantar de mio Cid e o Lazarillo de Tormes.
Por quê. A BNCC do Ensino Médio não diz o que cabe a cada série, e a divisão segue a lógica dos grandes livros: primeiro os antigos, porque o resto da tradição conversa com eles. Nas Ciências Humanas, "a casa forma caráter e julgamento primeiro", e os documentos avisam: "Isso não é neutralidade." Os temas da Base entram todos; muda a postura. "Toda ideia filosófica lida na fonte, nunca só num resumo", porque o resumo já traz a opinião de quem resumiu. A aluna às vezes defende uma posição que não escolheria, o que "treina entender antes de refutar". E Aristóteles fecha o ano porque ela pratica a lógica dele "desde o 5º ano sem saber o nome disso". Os projetos: "Medindo a gravidade", "A função da minha conta de luz", "Vieira e a arte do sermão", "Densidade em torre", "Trigonometria da árvore" e "Pastoral árcade".
2ª série do Ensino Médio (16 anos): O Ano da Razão Moderna
Fase e fio. Retórica, segundo ano: a aluna "argumenta citando Descartes, Locke, Kant, não só 'segundo especialistas'". O fio: "Do Renascimento ao Iluminismo: a razão humana tentando se bastar. É o ano que explica por que a modernidade se acha capaz de tudo, e onde a fé responde ao orgulho da razão sozinha." Virtudes: humildade diante da razão, compromisso com a instituição justa e precisão na linguagem técnica.
O que se estuda. As matérias da 1ª série. A Bíblia lê 1 Coríntios 1 e 2, e o ano lê Pascal. O Latim vira latim científico, com trechos adaptados das Meditationes de Descartes e dos Principia de Newton. A Filosofia lê Descartes, Bacon, Locke, Hobbes, Rousseau e Kant, e compara os contratos sociais "com a doutrina bíblica da natureza humana". A Literatura lê Os Lusíadas, e lê por inteiro o Romantismo e o Realismo. A Biologia chega ao DNA, e a Revolução Científica é estudada como "o método, não 'razão contra fé'".
Obras e leituras. Caravaggio, Poussin e Constable; Bruckner, César Franck e Fauré. Leituras: o Discurso do Método; os Pensamentos de Pascal; o Segundo Tratado sobre o Governo Civil, de Locke; Memórias Póstumas de Brás Cubas; Os Sertões.
Ao fim do ano. Escreve dissertação "citando fonte filosófica/histórica com precisão, não decorada"; sustenta um debate entre dois filósofos opostos; lê um trecho científico do século XVII em latim; compara Hobbes, Locke e Rousseau; domina a genética molecular. Em inglês, lê Shakespeare e a King James. Em espanhol, o Dom Quixote no original.
Por quê. A modernidade costuma apresentar só duas imagens do homem: Rousseau, com a bondade natural, e Hobbes, com a maldade natural, "tratados como as duas únicas opções". A Bíblia oferece uma terceira: o homem foi criado bom, caiu e pode ser redimido. Com ela na mão, a aluna lê os dois sem se render a nenhum. A Revolução Científica não é contada como vitória da razão sobre a fé, porque aconteceu "dentro de um mundo que a maioria via como criação ordenada e por isso estudável". E o ano tem uma disciplina de linguagem: "'Medido' e 'deduzido' são palavras diferentes, o ano inteiro, em toda matéria." Os projetos incluem "O motor mais simples do mundo", "Probabilidade no tabuleiro", "Romântico × realista" e "O casamento que o dinheiro não compra", que lê Senhora ao lado de Efésios 5.
3ª série do Ensino Médio (17 anos): O Ano da Resposta
Fase e fio. Retórica, último ano: "este ano ela usa as duas coisas para dar a própria resposta, não mais repetir a de outro". O fio: "Nietzsche anuncia a morte de Deus; Marx promete o paraíso na terra; o século XX prova o custo de ambos. Kierkegaard responde de dentro da fé. O ano fecha com o Projeto de Vida virando decisão real." Virtudes: convicção com humildade, coragem diante do niilismo e serviço como alvo final.
O que se estuda. As matérias das séries anteriores, com Geografia e Ciências Humanas de um lado e História do outro. A Bíblia lê Colossenses 1 e 2 e Jó, e a aluna constrói a própria apologética. A Filosofia lê Hegel, Marx, Kierkegaard, Nietzsche, Sartre e Camus. A aluna escreve uma monografia e a defende oralmente, e aprende a checar fontes e a reconhecer a desinformação digital. A Literatura chega ao Modernismo e às literaturas africana de língua portuguesa e latino-americana, e as Ciências, à física moderna e à bioética, com a "dignidade desde a concepção". O Latim deixa de avançar em gramática nova e vira fechamento, com o glossário pessoal dos termos latinos que a aluna usa nas outras matérias, e aparece onde a língua ainda vive, como no Requiem aeternam da música sacra.
Obras e leituras. A arte sacra brasileira, Andrei Rublev e "a pergunta do belo hoje"; Messiaen, John Tavener e Ola Gjeilo; "Eis-me Aqui, Envia-me". Leituras: O Manifesto Comunista; Além do Bem e do Mal; Temor e Tremor; "O Grande Inquisidor", de Dostoiévski; Cristianismo Puro e Simples; Grande Sertão: Veredas.
Ao fim do ano. Os marcos são de formatura. A aluna defende a monografia; explica Nietzsche "e articula a resposta cristã, sem escapar da pergunta"; discute bioética "a partir da dignidade humana, não só da viabilidade técnica"; defende o Projeto de Vida "com o primeiro passo real já em andamento"; percorre a Linha do Tempo inteira "narrando de cor". Em inglês, "já usou a língua para servir alguém". Em espanhol, lê La vida es sueño e Unamuno, e fecha cantando "Cristo me ama", a cantiga do Maternal.
Por quê. O último ano enfrenta, na fonte, as filosofias que negam tudo o que o currículo afirmou: "Ler o niilismo na fonte, sentir o peso real da pergunta, e só depois articular a resposta cristã: não pular a pergunta." Marx é lido ao lado do relato da queda, porque "a injustiça vem do pecado, não só da estrutura econômica". Colossenses fecha a Bíblia do currículo porque "é a tese que sustentou o método o tempo todo, agora dita por ela". A formação termina em serviço, e o espanhol termina na cantiga do Maternal para que a aluna veja o arco inteiro. Os projetos: "O sistema solar em escala", "Estatística de verdade", "Química da cozinha", "Juros da vida real" e a monografia, do projeto à defesa.
Três línguas além do português
A criança termina o Ensino Médio tendo convivido com três línguas além da sua: o inglês, todos os anos, pela fala; o espanhol, numa aula por semana do Maternal à 3ª série; e o latim, do 3º ano ao Ensino Médio. Nenhuma é ensinada como sinal de status.
Inglês: a língua aprendida como se aprendeu a primeira
O método foi destilado do documento Inglês na Educação Domiciliar, que reúne o que ensinam Adelaide Olguin (TalkBox.Mom), Rachel (Seven in All Family) e Ana Clara (Prática de Homeschooling no Brasil). O diagnóstico: o mapa errado "começa por gramática, por lista de vocabulário, por cores, números e o ABC. O problema não é falta de esforço: é a ordem." Afinal, "quando a criança começou a aprender cores e números, ela já falava". O mapa certo copia o jeito como a mãe ensina a primeira língua: frases inteiras, "na hora em que a vida acontece".
O método é um triângulo. Na base, ouvir e falar; acima, a leitura e a cópia; depois o ditado; depois a gramática, que fica "fácil: já há exemplos na boca"; no topo, a composição. "Pular a base é a causa número 1 de travar." A criança trabalha de uma a cinco frases-foco por vez, porque com poucas frases bem repetidas "o cérebro extrai" a regra. O áudio está sempre presente. O erro é devolvido certo, sem ser apontado, porque "o estresse piora a escuta dos sons". E "constância vence intensidade": todo dia a família escolhe a frase, pratica com o áudio e a usa na vida real.
| Etapa | O verbo da fase | Onde a criança chega |
|---|---|---|
| Maternal | Ouvir e cantar | 18 frases e cantigas; reconhece o inglês como "uma língua da casa" |
| Pré-escola I e II | Falar e brincar | cerca de 40 frases aos 4 anos e 75 aos 5; responde em inglês |
| 1º ao 5º ano | Ler e copiar | lê e copia as frases-foco, encena diálogos; no 5º, passado e futuro |
| 6º ao 9º ano | Escrever e entender | ensaio de cinco parágrafos, debate curto, clássico adaptado sem tradução |
| Ensino Médio | Compor e servir | livro inteiro no original e ter "usado a língua para servir alguém" |
Até o 5º ano o inglês vive na rotina: a mesa, a cozinha, a higiene, o brincar, o ar livre, a hora de dormir. Do 6º ano em diante vira temas, "porque o aluno precisa de assunto para ter o que dizer", e o vocabulário vem "pela leitura, nunca por lista". Nos primeiros anos, avaliar é "observar a criança usando a frase na rotina". O exame internacional, no Ensino Médio, é "opcional e servil".
A cosmovisão distingue o método. Nas palavras de Rachel, "aprender uma língua é uma das melhores formas de amar o próximo". O inglês abre também a grande tradição cristã: os hinos de Wesley e de Newton, Bunyan, a King James, Lewis e Chesterton. E "a criança continua brasileira": o filtro recusa o inglês como marca de superioridade, o "cidadão do mundo" desenraizado ("Aprendemos para hospedar, não para fugir") e o aplicativo como professor ("A língua se aprende entre pessoas"). A BNCC só prevê inglês a partir do 6º ano; antes, ele é enriquecimento.
Espanhol: a língua do vizinho
O espanhol tem uma aula por semana nos quinze anos: 540 aulas, das quais 60 de revisão e 60 semanas culturais. O método vem do documento Qual o melhor método para ensinar Espanhol em casa. É a única matéria sem versão em inglês, e os seus flashcards são em português e espanhol.
O método muda três vezes, porque a criança muda. Do Maternal ao 3º ano, é Charlotte Mason: cantigas, poemas, histórias vivas e narração, e "a gramática é invisível". Do 4º ao 8º, é o ensino por histórias (TPRS): "uma história curta e muito compreensível por semana, com 3 estruturas-alvo repetidas em perguntas simples" (¿Tomás tiene un perro o un gato? ¿Quién tiene un perro?), e "a repetição é o método". Do 9º ano à 3ª série, é a conversa real, a redação, o debate e a literatura no original. A razão: "Criança pequena aprende língua de ouvido, sem regra. Adolescente quer entender a regra e usar a língua para dizer coisas de verdade."
O ano tem quatro blocos de nove semanas: sete de conteúdo novo, uma de "revisão ativa. Nada novo" e uma semana cultural, com "zero apostila". E o portunhol é enfrentado de frente, porque "quem entende sem esforço acha que já fala, e fala português com sotaque": os sons que o português não tem, os falsos amigos (exquisito, embarazada) e as palavras que mudam de gênero (la leche, el puente).
A razão de aprender é o próximo. "O espanhol é a língua do vizinho": o Brasil faz fronteira com sete países de língua espanhola, e "aprendemos para receber à mesa e servir". A primeira Bíblia inteira em espanhol, de Casiodoro de Reina, de 1569, "nasceu da fé perseguida". O filtro recusa o sincretismo apresentado como cultura e o revolucionário romantizado, e os clássicos que criticam a fé são lidos "com discernimento". A BNCC não tem espanhol desde a Lei 13.415/2017; as leituras vão dos poemas de Martí no 2º ano ao Dom Quixote no original na 2ª série.
Latim: a engenharia reversa do português
O Latim entra no 3º ano e segue até o Ensino Médio. "Metade do português vem dele; e a declinação ensina sujeito e objeto melhor que qualquer aula de sintaxe." São 20 minutos por dia, porque "três vezes por semana não fixa nada", e um Caderno de Latim em três colunas: a palavra latina, o significado e as palavras portuguesas que vieram dela. "A terceira coluna é o motor. Sem ela o latim vira decoreba morta."
A progressão se conta em raízes e textos: 150 palavras no 3º ano, 300 no 4º, 500 no 5º, 650 no 7º, 800 no 8º, mais de mil no 9º, quando o latim vira "ferramenta permanente, não matéria escolar". No Fundamental II ele "passa a ser leitura"; na 1ª série, César e Cícero; na 2ª, o latim científico de Descartes e Newton; na 3ª, o fechamento. O filtro recusa a religião romana como fé neutra e o latim como "cultura para poucos": aqui ele "é ferramenta prática: cada palavra abre o português".
Como cada lição foi escrita e conferida
Um currículo de quase quinze mil lições só merece confiança se cada lição seguir o mesmo padrão e se alguém conferir que seguiu.
O padrão de toda lição
Toda lição tem texto variado, atividades com gabarito, atividade de tela, flashcards em português e em inglês, versão em inglês e áudio. O padrão foi declarado imutável: aula sem flashcards não está pronta, e flashcards só em português também não. As exceções têm razão: o Maternal não tem versão em inglês, porque ali o inglês vive na canção; o Maternal e o Pré I não têm atividade de tela; e as aulas de espanhol não têm versão em inglês.
- O texto é "auto-suficiente", na voz de quem dá a razão: "faça X porque Y", "sem moralismo, sem enchimento".
- O gabarito "fala com o pai, explicando o mecanismo, o erro comum e o que não fazer".
- A atividade de tela "avalia o objetivo da lição, e nada além", e termina no caderno, porque "a tela nunca substitui o caderno".
- Os flashcards saem do texto da aula: "Nada é inventado."
- As imagens vêm dos acervos, sempre com crédito, e as frases de análise sintática, de livros reais.
- A Bíblia é citada na Almeida Revista e Atualizada, a mesma em todos os anos, porque trocar de tradução atrapalha a criança que decora o versículo.
O que se conferiu
O padrão é conferido por programas que contam cada camada, lição por lição. A contagem de 17 e 18 de setembro de 2026:
| Camada | Resultado |
|---|---|
| Lições escritas | 14.818 |
| Lições com flashcards | 14.818 de 14.818 |
| Lições com versão em inglês | 13.954 (o Maternal e as aulas de espanhol não têm, por decisão) |
| Atividades de tela | 13.738, da Pré-escola II à 3ª série |
| Narrações da aula em inglês | 13.968 |
| Frases e cartas com áudio | 122.168 em inglês e 1.476 em espanhol |
| Flashcards | 28.551 conjuntos e 241.271 cartas |
O que se aprendeu com as famílias
Toda lição concluída pode receber de uma a cinco estrelas e uma resposta a "o que faria diferente", que "vai direto para quem escreve o currículo". E várias regras nasceram de casos reais: a janela de download do plano mensal foi ampliada quando uma família não conseguia baixar a semana que estava estudando, e a prova de nivelamento passou a mostrar só o que de fato foi liberado depois que uma família leu "adiante" numa matéria que não recebeu.
O que a pesquisa mostra
Os documentos do currículo não foram escritos a partir de experimentos de laboratório. Nasceram da tradição clássica, de Charlotte Mason e da experiência de famílias. Mas as práticas que eles fixaram foram estudadas por outras mãos, e a pesquisa externa, consagrada na ciência cognitiva e na aquisição de línguas, confirma que funcionam. Ela não foi a fonte do currículo; é a confirmação de que a tradição tinha razão.
Esquecer é a regra, e a revisão espaçada a vence
Em 1885, Hermann Ebbinghaus publicou Über das Gedächtnis (A memória), o primeiro estudo experimental da memória. Decorando listas de sílabas sem sentido, descobriu que o esquecimento é rápido logo depois de aprender e depois desacelera, e que repetições espalhadas por vários dias rendem mais do que as mesmas repetições num dia só. Em 2006, Nicholas Cepeda e colegas reuniram um grande conjunto de experimentos na Psychological Bulletin e confirmaram: a prática distribuída vence a concentrada, e quanto mais tempo se quer lembrar, maior deve ser o intervalo entre as revisões.
O currículo pratica isso: a revisão espiral do inglês, a semana de revisão do espanhol a cada nove, o latim diário, a palavra errada que volta no ditado seguinte e a aba Memorização, que calcula o dia de rever cada cartão.
Lembrar ensina mais do que reler
Em 2006, Henry Roediger e Jeffrey Karpicke publicaram na Psychological Science um experimento simples. Estudantes leram textos curtos; uma parte releu, outra escreveu tudo o que lembrava, sem consultar. Logo depois, os que releram lembravam um pouco mais; dias depois, a vantagem se inverteu, e quem tinha puxado da memória lembrava bem mais. Em 2013, John Dunlosky e colegas avaliaram dez técnicas de estudo na Psychological Science in the Public Interest: só duas receberam a nota mais alta, a prática de testagem e a prática distribuída. Reler e grifar ficaram entre as de utilidade baixa.
O experimento de Roediger e Karpicke é quase uma descrição da narração: a criança "conta tudo o que consegue lembrar", sem o livro aberto. Os flashcards, o ditado, a recitação e as provas trimestrais são outras formas do mesmo exercício. O currículo não manda grifar nem reler o resumo: manda contar.
Explicar com as próprias palavras
Em 1994, Michelene Chi e colegas publicaram na Cognitive Science um estudo com alunos do 8º ano que liam um texto sobre o sistema circulatório. Os que foram instruídos a explicar para si mesmos cada frase entenderam melhor do que os que leram duas vezes, e os que mais explicaram foram os que mais aprenderam. A narração não é idêntica a essa autoexplicação, mas pede o mesmo: transformar o que se ouviu em palavras próprias, na ordem certa, sem ajuda. Quem precisa dizer o que entendeu descobre o que não entendeu.
Imagem e palavra, mão e letra
Em 1971, Allan Paivio expôs em Imagery and Verbal Processes a teoria da dupla codificação: a memória guarda as coisas pelo caminho verbal e pelo visual, e o que chega pelos dois é lembrado melhor. É a razão do desenho dos flashcards, com a ilustração na frente sob a pergunta, e das folhas inteiramente ilustradas nos primeiros anos.
Em 2012, Karin James e Laura Engelhardt publicaram na Trends in Neuroscience and Education um estudo com crianças de 4 e 5 anos que ainda não liam. Elas praticaram letras escrevendo à mão livre, digitando ou traçando por cima de um modelo. Depois, ao ver letras, só as treinadas pela escrita à mão livre ativaram com força as regiões do cérebro que os leitores usam para ler. O achado dá razão à cópia à mão como prática diária, e avisa que cobrir o pontilhado não basta: a letra precisa ser escrita pela própria mão da criança.
A língua entra pelo ouvido que entende
Em 1982, Stephen Krashen publicou Principles and Practice in Second Language Acquisition. A língua se adquire, diz ele, quando a pessoa entende mensagens um pouco acima do que já sabe, o input compreensível; e a ansiedade funciona como um filtro que bloqueia a aquisição. As duas ideias estão no método: frases em contexto, com áudio, e a correção sem estresse. E há uma aplicação que talvez seja a mais forte do currículo: a criança ouve em inglês uma aula cujo conteúdo já aprendeu em português. O assunto é conhecido, e por isso a língua fica compreensível. O currículo não segue Krashen até o fim: ele via pouco papel para a gramática explícita, e o método da casa junta "input compreensível + ensino direto".
Em 1969, James Asher descreveu no periódico The Modern Language Journal a Resposta Física Total (TPR), em que o aprendiz responde com o corpo a comandos na língua nova, e encontrou vantagem na compreensão auditiva; no currículo, "o corpo se mexe com a frase" desde a Pré-escola. Em 1997, Blaine Ray e Contee Seely levaram o TPR às histórias em Fluency Through TPR Storytelling: é o método do espanhol do 4º ao 8º ano.
A idade decide a forma
Em 1947, Dorothy Sayers leu em Oxford o ensaio The Lost Tools of Learning, em que propôs que a gramática, a lógica e a retórica correspondem a três fases da criança: a que decora com prazer, a que discute e a que quer se expressar. Em 1999, Jessie Wise e Susan Wise Bauer fizeram disso um programa de educação em casa em The Well-Trained Mind, com a história do mundo contada em ciclos que se repetem com mais profundidade. O Educando em Casa segue a mesma divisão e muda o ritmo: o primeiro giro da história tem cinco anos, o segundo quatro e o terceiro três. Charlotte Mason, em Home Education (1886), o primeiro dos seus seis volumes, defende as lições curtas, a narração, os hábitos, os livros vivos e muitas horas ao ar livre, e o currículo a segue.
O que a pesquisa não diz
Os estudos mostram tendências em grupos, e não garantias para cada criança, e nenhum deles avaliou este currículo. Nem respondem às perguntas que mais importam: o que é verdadeiro, o que é bom e para que se aprende. A ciência cognitiva explica por que a narração fixa a lição de História; não explica por que vale a pena saber que Wilberforce lutou contra a escravidão. O currículo usa a pesquisa como confirmação, e não como bússola.
A plataforma que sustenta a família
A plataforma existe para que um currículo de quinze anos caiba no dia de uma família real, e cada ferramenta responde a uma das faltas descritas no começo desta tese.
O dia começa no Hoje
A primeira tela do painel é o Hoje: o plano do dia, os compromissos, o livro em leitura, o devocional, os hábitos e os últimos 30 dias. A regra de desenho é que a tela "cabe numa olhada", e "nada que cobre". O pai abre o painel para saber o que fazer, e não para se sentir em dívida.

O registro do dia, falando
O código chama esta de "a tela mais importante do produto", porque o ano que não deixa registro não pode ser mostrado. O pai, no fim do dia, está cansado, e digitar é a barreira que faz muito diário ser abandonado. Por isso o registro se faz falando.
O botão Registrar abre a janela "O que vivemos hoje?": "Fale, escreva ou mostre uma foto. O resto é com a gente." Na aba Falar, o pai toca no microfone e conta o dia; o aparelho grava o áudio e, ao mesmo tempo, escreve o que foi dito. A gravação para sozinha em cinco minutos, "o limite do bom senso". Onde o navegador não transcreve, como no iPhone, a tela ensina a usar o microfone do teclado ou oferece uma transcrição que roda no próprio aparelho, sem internet, e em que "o áudio nunca sai do aparelho".

A janela aceita fotos e documentos, e um só registro vale para vários filhos, porque obrigar o pai a digitar a mesma coisa três vezes "é a forma mais rápida de ele parar de registrar". Sem internet, o registro fica no aparelho e sobe depois.
O botão "Ver o que entendi" transforma o relato em registro pedagógico: um resumo do dia, as áreas de aprendizagem que ele tocou e as competências. As áreas são nove: Linguagem e Comunicação; Raciocínio e Matemática; Ciências da Natureza; Cultura, História e Geografia; Artes e Criatividade; Corpo e Movimento; Socioemocional; Vida Prática; e Fé e Valores. São áreas, e não disciplinas, porque muito do que uma criança pequena aprende acontece na vida prática e na convivência.

A leitura não é feita por inteligência artificial, mas por um motor de regras fixas sobre um vocabulário em português escolhido à mão, porque "o mesmo registro sempre produz a mesma leitura". E a última palavra é da família, que corrige cada área com um toque: "o motor sugere; quem sabe é a mãe". Quando o pai conclui uma lição do currículo, "a lição vira registro do dia" sozinha.
Do registro ao documento
Frequência e Carga horária é "o único documento do sistema que pode ser exigido por alguém de fora da casa: conselho tutelar, secretaria de educação, juiz. A tela é sóbria de propósito." O dia letivo é contado pelo registro, pelo cronômetro de foco e leitura, pelo passeio e pela sessão de leitura. E o relatório não mente: "Onde não houver minuto informado, ele diz isso, em vez de estimar: um relatório que arredonda para cima é um relatório que a família não pode assinar."
Desenvolvimento mostra um radar pelas nove áreas, que "não tem nota, tem frequência". Portfólio guarda os trabalhos com foto. E o Livro do Ano junta tudo num livro com capa, abertura e fecho escritos pela família, o ano em números, a frequência, os marcos, os projetos e a seção "O currículo cumprido": "Para um pai que precisa PROVAR o ano, ao conselho tutelar, à família que duvida, a si mesmo em dezembro, esta é a página que mais vale: quantas lições, de que matérias, em quantas semanas." A frequência do Livro vem da mesma conta do relatório, para que os números nunca divirjam.
A trilha, a semana e a lição
Cada criança tem uma matrícula própria: "ninguém pula etapa; a promoção é calculada, não escolhida; uma criança não abre conteúdo de outro ano". A semana é a unidade de trabalho: as matérias com as suas lições, o versículo e o hino do mês, o quadro da semana, o compositor do trimestre, os materiais para imprimir e a apostila em PDF.

A família pode arrastar lições entre os dias sem perder o progresso: o currículo propõe a ordem, a casa decide o ritmo. A lição abre com o passo a passo para o pai e um cronômetro de "Lição curta", e traz o código da BNCC, o texto para ler em voz alta, as atividades com gabarito, a atividade de tela, os flashcards e, em História, Geografia e Bíblia, o botão que abre o globo na época certa. Para quem ainda não lê há o Modo Criança, um passo por vez, com o Tito, o tatu mascote da plataforma.
O currículo bilíngue e o áudio
No alto de toda lição há um seletor PT e EN. Em EN, a lição inteira aparece em inglês: não é legenda, é "a mesma lição escrita para se ler em voz alta". Junto vem o player "Ouvir a aula inteira em inglês", com pausa, recuo e avanço, barra de progresso e velocidade, e a frase que está sendo lida acende no texto.

A voz é neural, com pronúncia americana no inglês e mexicana no espanhol: a mesma pronúncia clara em todas as lições, disponível a qualquer hora, inclusive para o pai que não fala inglês. São 13.954 lições com versão em inglês, 13.968 narrações, 122.168 frases e cartas em inglês com áudio e 1.476 frases em espanhol, num total de 151.589 arquivos de som. A razão foi dada no capítulo da pesquisa: a criança ouve em inglês um assunto que acabou de aprender em português, e por isso entende.
Flashcards em toda lição, e a Memorização
Toda lição tem flashcards em português e em inglês: carta em pé, ilustração na frente sob a pergunta, explicação no verso, tudo tirado da própria aula. No Maternal, uma carta por dia da semana; no espanhol, cartas em português e espanhol. Cada carta tem um botão de ouvir.

A criança vira a carta, embaralha e marca as que quer rever, e o pai imprime tudo em frente e verso. A marcação vale enquanto a página está aberta, e esses flashcards não têm agenda de revisão. São 241.271 cartas.
A repetição espaçada mora na aba Memorização. Ali a família cria os próprios cartões com o que quer guardar por anos, e a plataforma calcula o dia de rever cada um pelo algoritmo SuperMemo 2, de 1987, o mesmo motor por trás do Anki: quem erra revê no dia seguinte; quem acerta revê em um dia, depois em seis, depois em intervalos maiores. A conta é feita no servidor, porque "a mãe revisa no celular na fila do mercado e o filho revisa no tablet à noite". E a tela repete o que a pesquisa confirma: "Uma sessão de cinco minutos por dia rende mais que uma hora no domingo."
Os materiais para imprimir e a apostila
Cada semana de cada ano tem materiais complementares para imprimir: folhas para cobrir, pintar, recortar e colar nos anos pequenos; mapa mudo, linha do tempo e roteiro de experimento nos maiores. A receita é fixa: uma capa, que é do pai, e dezessete páginas de trabalho, porque antes "cada semana rendia o que rendia: 3 folhas numa turma, 37 noutra". A ilustração diminui com a idade, porque o que a criança pequena vê precisa ser visual, e o adolescente precisa de espaço para escrever:
| Etapa | Páginas ilustradas | Páginas de escrita |
|---|---|---|
| Maternal e Pré-escola | 17 | 0 |
| 1º ao 3º ano | 9 | 8 |
| 4º e 5º ano | 7 | 10 |
| 6º ao 9º ano | 5 | 12 |
| Ensino Médio | 3 | 14 |

Nenhuma folha é aleatória: ou puxa o conteúdo da semana, ou treina a habilidade dela. A folha de pintar sai em traço, e as folhas trazem no rodapé um "Para o pai". As 540 semanas foram conferidas por dois programas: um conta as páginas e a proporção, o outro confere se cada folha entrega o que promete.

A apostila em PDF é outra coisa: o botão "Baixar em PDF" gera a lição, a semana, uma matéria ou um período, na Apostila dos pais, com gabarito e nota ao educador, ou na do aluno, em que "nenhuma resposta aparece". Todo material baixado sai com capa, contracapa e um carimbo com o nome da família, o e-mail do titular, a data, a hora e a criança. O download tem janela: no plano anual, o ano inteiro; no mensal, tudo o que já passou e mais dois meses, ou até oito semanas depois da última concluída, se for mais. No teste gratuito, nada se baixa nem se imprime.
Provas e boletim
A tela "Provas e boletim" gera uma prova por matéria a cada trimestre, "com gabarito para você e folha para a criança", em três variantes e duas vias.

A prova nasce do que a criança estudou naquele trimestre, sobretudo das atividades com gabarito: "Nada aqui inventa fato." É sempre a mesma para a mesma combinação de ano, trimestre, matéria e variante, para que o gabarito bata com a folha do aluno. Vai de 8 questões no 1º ano a 14 do 8º em diante, com nota até 10. Na Pré-escola não há prova escrita, mas um roteiro de observação, porque prova escrita aos quatro anos "mede se ela aguenta ficar sentada". O boletim confere a matrícula e conta na média só o trimestre com nota lançada. A prova não contradiz a narração: a narração é a avaliação de todo dia; a prova é o exercício de recordar o trimestre, e também um documento.
A prova de nivelamento
A prova de nivelamento responde em que ano a criança entra, o que ela já domina e o que ficou para trás, e transforma o que ficou para trás num reforço que libera na conta as lições de anos anteriores.

As regras protegem a criança. A mudança de ano fica presa à etapa da idade, porque "aos 7 anos, um filho que lê como um de 11 continua tendo 7". Entre etapas, resolve o reforço: "Um aluno de 16 anos que não firmou fração precisa das lições de fração do 5º ano, e não de voltar para o 5º ano." A prova desce até quatro anos abaixo, e só Português e Matemática decidem o ano. Todo item tem duas âncoras, a habilidade da BNCC e o escopo do currículo, e o banco tem 392 itens, da Pré-escola ao Ensino Médio. O que a tela chama de avanço ou reforço é exatamente o que a conta libera.
Documentos importantes
A aba "Documentos importantes" reúne "os 4 textos jurídicos que toda família que educa em casa deveria ter salvos": o acórdão do STF no Recurso Extraordinário 888.815 (Tema 822), julgado em 12 de setembro de 2018; o Projeto de Lei 1.338/2022, em tramitação no Senado; a LDB, Lei 9.394/1996; e o ECA, Lei 8.069/1990. Cada cartão explica o documento e traz o PDF e a fonte oficial, e um vídeo curto explica os quatro.

A plataforma guarda uma cópia do texto porque "a família precisa do arquivo no dia em que for chamada, não de um link morto". E é honesta sobre o que é: "O texto explica, não aconselha", e "informação não substitui um advogado". Não há assistência jurídica nem modelos de defesa; o que a família tem para se explicar são os documentos oficiais e os que ela mesma produz.
Cursos extras
A assinatura dá acesso também aos Cursos Extras, seis cursos para a família inteira: Guardiões do Tesouro, de educação financeira; Talentos em Ação, de empreendedorismo; Trilha das Emoções, de inteligência emocional; O Código da Criatividade; Trilha das Virtudes, de caráter e serviço; e Família Intencional, de rotina e mordomia.

Cada curso tem seis temporadas, dos 2 aos 17 anos, em geral com vinte capítulos cada, e o Família Intencional tem ainda uma temporada para os pais; ao todo, são 750 capítulos. Cada capítulo tem a parte de aprender, um jogo, a de fazer em casa, uma atividade fora de casa, o guia do pai, a folha para imprimir e a missão do dia. O certificado de cada temporada leva o nome da criança e só abre com todos os capítulos concluídos, porque "certificado de curso não terminado não certifica". Cada curso tem a sua tese e as suas referências, e a regra é a do currículo: "Cada autor entra pela técnica. A cosmovisão é a da Educação em Casa." O Código da Criatividade começa em Bezalel. Os cursos são abertos às famílias um a um, conforme a liberação de cada um; até lá, aparecem como "Em breve".
Acervos, globo e o método explicado
Treze acervos visuais somam 1.210 itens, entre eles 381 mapas, 222 bandeiras, 195 países, os 118 elementos da tabela periódica e 79 obras de arte. Cada item traz os anos e os códigos da BNCC a que serve, e "obra sem crédito não aparece".

O acervo de obras é o museu da criança: é dele que a lição puxa a obra certa. E os mapas incluem 44 pranchas no estilo dos atlas antigos. O Globo Terrestre Histórico e Geográfico 3D é a linha do tempo do currículo em forma de esfera: a criança escolhe uma era, vê as rotas e os barcos de cada época e toca num país para saber o que aconteceu ali, e da lição o globo abre já na época que a aula estuda.
O pai ensina por métodos que ninguém lhe ensinou, e a prateleira "Explicando o método" existe para isso.

O primeiro guia pronto, com vídeo, é o da Diagramação de frases, o método menos conhecido das famílias brasileiras. Os próximos são a memorização por flashcards, o inglês por imersão, a cópia e o ditado, a narração e o Trivium por idade. Enquanto não chegam, o passo a passo e o gabarito de cada lição trazem o que o pai precisa naquele dia.
O dia a dia e a rede entre famílias
Outras telas cuidam da rotina. O Planejamento tem seis níveis, sempre com o de cima à vista, porque "a pergunta que trava um planejamento não é 'o que faço hoje?', é 'por que estou fazendo isso?'". Nos Hábitos, "sequência quebrada não é derrota: é terça." Em Leituras, o Termômetro de cosmovisão marca cada livro do ano. E o aplicativo se instala no celular e funciona sem internet.
Para a solidão, Mapa e famílias responde "tem gente como eu por perto?", com 54 comunidades locais, recortadas pelo deslocamento real e não pela divisão administrativa; Encontros só mostra o endereço depois de confirmada a presença; o Calendário cultural mostra o que fazer com as crianças perto de casa; e o Mural nacional é a conversa entre as famílias. Nada aparece sem que a família escolha participar, e a criança nunca tem perfil.
Por que nesta ordem
Cada ano entrega ao seguinte o que ele precisa para começar. Lida de ponta a ponta, a ordem obedece a poucas regras.
Exposição antes de instrução. O Maternal não ensina; expõe. A criança recebe língua, música, rotina e fé pelo convívio, e chega à Pré-escola com ouvido treinado. Sem isso, "a Pré I começa empurrando".
O solo antes da semente. Aos 4 anos se prepara o solo; aos 5 a criança decodifica; aos 6 lê com fluência. A leitura não é antecipada, porque antecipá-la "queima o amor pelos livros", nem adiada, porque a fônica diária alfabetiza no tempo certo.
Fatos antes de argumentos. Até o 4º ano a criança enche a memória: histórias, versículos, poemas, tabuadas, raízes latinas. O argumento vem quando ela tem sobre o que argumentar.
O latim no último ano da absorção. Aos 8 anos a criança ainda decora com prazer e já tem português para ver as palavras que nasceram de cada raiz.
A lógica quando chega a pergunta. Aos 10 anos a criança "discute o dia inteiro de qualquer jeito", e recebe as falácias, o silogismo e o debate nesse momento, e não um ano depois.
A retórica quando ela quer falar, e a filosofia quando há com que lê-la. A Retórica formal entra no 7º ano e toma o centro no Ensino Médio. A Filosofia chega aos 15, quando a aluna já tem a lógica e já percorreu a história duas vezes: lê Platão sabendo o que foi Atenas, e Rousseau sabendo o que foi a Revolução Francesa.
A história em três voltas. Narrada, depois julgada, depois pensada. A criança que ouviu a Revolução Francesa aos 9 anos julga as independências aos 13 e lê Rousseau aos 16, e cada volta encontra a anterior guardada na linha do tempo.
O corpo e a fé na hora deles. A puberdade entra aos 13 anos, quando o corpo muda. A apologética formal, aos 10, quando a criança pergunta. O niilismo, aos 17, quando a aluna tem com que responder. Nada é antecipado para parecer avançado, e nada é adiado para parecer seguro.
Objeções e limites
"Isso é a escola dentro de casa com outro nome." Não é. A escola dá horas de carteira, prova para todos e um professor para muitos. O currículo dá lições curtas, narração no lugar de prova nos primeiros anos e um pai que conhece o filho. O 4º ano tem de três horas e meia a quatro horas de lição formal, em blocos; o resto do dia é ar livre, leitura, trabalho da casa e brincadeira.
"Trinta lições por semana é muito." São seis lições curtas por dia, e o que cansa "não é o total do dia, é o bloco longo". A família pode reorganizar a semana, e nenhuma tela pune o dia que não rendeu: "dia vazio é cinza claro, não vermelho".
"Por que usar a BNCC, se discordamos da filosofia dela?" Porque ela é só o esqueleto. Garante que nada essencial fique de fora e que a criança possa fazer o ENEM ou voltar a uma escola. O conteúdo, o método e a cosmovisão não vêm dela.
"O filtro fecha a criança numa bolha." Faz o contrário. A criança estuda a escravidão, o Holocausto, a ditadura e a eugenia "de frente", e a aluna lê Marx, Nietzsche, Rousseau e Darwin na fonte. O que o filtro tira é a postura: a militância, a culpa infantil, a fé tratada como folclore. "A história não se filtra para conforto."
"Eu não falo inglês." O método foi pensado para esse pai. O áudio fala por ele em todas as frases, cartas e lições, e o pai aprende junto.
"Voz sintética não é voz nativa." É verdade, e esta tese não diz outra coisa. A voz é neural, com pronúncia americana no inglês e mexicana no espanhol, e não foi gravada por falantes. Ela dá a mesma pronúncia clara em todas as lições, a qualquer hora, e isso basta para o ouvido aprender os sons. Mas não substitui a conversa com gente: "a língua se aprende entre pessoas", e o alvo final é usar a língua para servir alguém.
"É tela demais." O Maternal e o Pré I não têm atividade de tela, e toda atividade de tela termina no caderno. Os flashcards se imprimem, as lições saem em apostila de papel, e cada semana tem dezessete páginas de folhas para a mão.
O que a plataforma não faz. A família precisa conhecer estes limites antes de começar:
- Não há tutoria ao vivo com professores. A própria página de apresentação do Educando em Casa diz que é um plano para o futuro, para reforçar o caminho da família, e não para substituí-lo.
- Não há assistência jurídica. A aba de documentos "explica, não aconselha", e "informação não substitui um advogado".
- O motor que lê o registro sugere; não decide. A leitura final das áreas é da família.
- O relatório de frequência não inventa. Onde não há minutos informados, ele diz isso. O documento só é tão completo quanto o registro.
- A repetição espaçada vale para os cartões que a família cria na Memorização. Os flashcards das lições se viram, embaralham, marcam e imprimem, mas não têm agenda de revisão.
- Os guias de "Explicando o método" chegam aos poucos, e os cursos extras são abertos um a um, conforme a liberação de cada um.
- O download tem janela. No teste gratuito nada se baixa nem se imprime, e no plano mensal o download alcança o que já passou e dois meses à frente.
O que nenhum currículo substitui. O pai. A plataforma põe a lição pronta na mão dele, mas não lê em voz alta com o filho no colo, não percebe que a criança está com fome e não ora com ela à noite. Essa atenção é do pai.
O que o currículo não promete. Não promete que a criança será brilhante, nem que nunca vai tropeçar. O homem planeja o caminho, mas é o Senhor quem dirige os passos (Provérbios 16.9). O currículo promete o que depende dele: um caminho completo, em ordem, fiel à verdade, e ferramentas que servem à família em vez de tomar o lugar dela.
Conclusão
A aluna que chega aos 17 anos depois dos quinze anos do Educando em Casa ouviu a Bíblia como uma história só, com um Autor. Aprendeu a ler pela fônica e leu os grandes livros na fonte. Guardou de cor salmos, poemas, hinos e um discurso. Narrou a história do mundo três vezes, cada vez com olhos mais maduros. Diagramou frases de livros reais e sabe de onde vêm as palavras que usa. Aprendeu a separar o que se mede do que se deduz e a refutar a ideia sem ferir a pessoa. Leu Marx e Nietzsche, sentiu o peso da pergunta e deu a resposta cristã com as próprias palavras. Usa o inglês e o espanhol para servir alguém. Defendeu uma monografia em voz alta e escreveu o próprio projeto de vida.
E a família que a acompanhou tem, de cada ano, um registro: os dias contados falando, as lições concluídas, as provas corrigidas, a frequência, o portfólio e o Livro do Ano. O que foi vivido pode ser mostrado.
A tradição clássica explica a forma do caminho: cada idade recebe o que pode receber, na ordem em que a mente cresce. A pesquisa confirma o que a tradição sabia: lembra-se melhor o que se recorda com esforço, o que se revê espaçado, o que se diz com as próprias palavras, o que se vê e se escreve à mão, a língua que se ouve e se entende. E a Escritura dá o porquê e o para quê: a verdade tem Autor, os filhos foram confiados aos pais, e a formação termina em serviço.
Os documentos da 3ª série descrevem o resultado numa frase, e é com ela que esta tese termina. O Educando em Casa quer entregar "uma pessoa formada, não só aprovada, que sabe o que pensa, por que pensa, e o que vai fazer com isso".
Referências
Os documentos que embasaram o currículo
Citados nos arquivos do próprio currículo, foram a base da sua escrita.
- Brasil. Ministério da Educação (2018). Base Nacional Comum Curricular. Versão final. O esqueleto temático do currículo.
- Análise Crítica da BNCC / Cosmovisão Cristã. Documento de base do filtro de cosmovisão (sem autor informado).
- Construindo Currículo Home School. Documento de base do método, com Charlotte Mason e o Trivium (sem autor informado).
- Inglês na Educação Domiciliar. Compilação dos ensinamentos de Adelaide Olguin (TalkBox.Mom), Rachel (Seven in All Family) e Ana Clara (Prática de Homeschooling no Brasil). Base do método de inglês.
- Qual o melhor método para ensinar Espanhol em casa. Documento de base do método de espanhol (sem autor informado).
- Simply Charlotte Mason. 4 Ways to Schedule Your Homeschool Year. Base do calendário de 36 semanas e 180 dias.
- Bauer, Susan Wise. A História do Mundo para Crianças, volumes 1 a 4. Leitura de História do 1º ao 4º ano e do 6º ao 8º.
- Termômetro de cosmovisão. Instrumento próprio do Educando em Casa para classificar livros.
- Bíblia Sagrada. Almeida Revista e Atualizada (ARA).
A tradição clássica e Charlotte Mason
Os arquivos do currículo citam Susan Wise Bauer e Charlotte Mason pelo nome; estas são as obras de origem da tradição que eles seguem.
- Sayers, D. L. (1947). The Lost Tools of Learning.
- Bauer, S. W.; Wise, J. (1999). The Well-Trained Mind.
- Mason, C. (1886). Home Education. Primeiro volume da série de seis.
Os documentos oficiais
- Brasil. Supremo Tribunal Federal (2018). Recurso Extraordinário 888.815 (Tema 822).
- Brasil. Senado Federal. Projeto de Lei 1.338/2022, em tramitação.
- Brasil. Lei 9.394/1996. Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional.
- Brasil. Lei 8.069/1990. Estatuto da Criança e do Adolescente.
- Brasil. Lei 13.415/2017. Revogou a oferta obrigatória de espanhol.
A pesquisa que confirma as práticas
Pesquisa externa, consagrada, que não foi fonte do currículo e confirma as práticas descritas nesta tese.
- Ebbinghaus, H. (1885). Über das Gedächtnis (A memória).
- Cepeda, N. J.; Pashler, H.; Vul, E.; Wixted, J. T.; Rohrer, D. (2006). Distributed practice in verbal recall tasks: a review and quantitative synthesis. Psychological Bulletin, 132(3), 354-380.
- Roediger, H. L.; Karpicke, J. D. (2006). Test-enhanced learning: taking memory tests improves long-term retention. Psychological Science, 17(3), 249-255.
- Dunlosky, J.; Rawson, K. A.; Marsh, E. J.; Nathan, M. J.; Willingham, D. T. (2013). Improving students' learning with effective learning techniques. Psychological Science in the Public Interest, 14(1), 4-58.
- Chi, M. T. H.; De Leeuw, N.; Chiu, M.-H.; LaVancher, C. (1994). Eliciting self-explanations improves understanding. Cognitive Science, 18(3), 439-477.
- Paivio, A. (1971). Imagery and Verbal Processes.
- James, K. H.; Engelhardt, L. (2012). The effects of handwriting experience on functional brain development in pre-literate children. Trends in Neuroscience and Education, 1(1), 32-42.
- Krashen, S. (1982). Principles and Practice in Second Language Acquisition.
- Asher, J. J. (1969). The total physical response approach to second language learning. The Modern Language Journal, 53(1), 3-17.
- Ray, B.; Seely, C. (1997). Fluency Through TPR Storytelling.
