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PISA Brasil 2025: o que o resultado revela sobre a escola brasileira

No PISA 2025, 72% dos alunos brasileiros de 15 anos ficaram abaixo do básico em matemática. Os números da OCDE e do Inep e o que eles dizem às famílias.

Por Redação Educando em Casa · · 11 min de leitura

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Livro aberto com uma caneta sobre um caderno de anotações escritas à mão, diante de uma estante de livros
Foto: Unsplash

Dois caminhos levam ao mesmo lugar, e cada trecho tem a distância marcada. Qual dos dois é mais curto? Ou então: um preço está em outra moeda; quanto dá na nossa? São os exemplos que a própria OCDE usa para descrever o nível 2 de matemática do PISA, o mínimo que ela espera de um jovem de 15 anos. A maioria dos brasileiros dessa idade já está no ensino médio. E a maioria não chega lá.

A resposta curta

No PISA 2025, divulgado pela OCDE em 8 de setembro de 2026, os estudantes brasileiros de 15 anos fizeram 377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências, abaixo da média da OCDE nas três áreas (463, 461 e 482). 72% ficaram abaixo do nível básico em matemática, 51% em leitura e 52% em ciências. A própria OCDE registra que o resultado é praticamente o mesmo de 2022 e fica perto de todas as edições desde 2015. Em matemática e leitura, a distância para os países ricos diminuiu mais porque eles caíram do que porque o Brasil subiu.

72%dos alunos brasileiros de 15 anos abaixo do nível básico em matemáticaPISA 2025, OCDE (2026)
96 pontosde distância em ciências entre os 25% mais ricos e os 25% mais pobresPISA 2025, OCDE (2026)
51%dos alunos dizem que os pais perguntam toda semana o que fizeram na escola; em 2022 eram 62%PISA 2025, OCDE (2026)

O que o PISA 2025 mostrou sobre o Brasil?

O PISA é a avaliação internacional da OCDE aplicada a cada ciclo a estudantes de 15 anos. Não pergunta fórmula decorada. Pergunta se o aluno usa o que aprendeu: ler um texto e achar a ideia principal, representar uma situação com números, tirar uma conclusão de um conjunto de dados. Em 2025 fizeram a prova mais de 760 mil estudantes de 91 países e economias. No Brasil, foram 30.140 alunos de 1.053 escolas, com aplicação em abril e maio de 2025, segundo o Inep.

O quadro brasileiro, lado a lado com a média da OCDE:

ÁreaBrasil 2025Média da OCDE 2025Abaixo do nível 2 no BrasilAbaixo do nível 2 na OCDE
Matemática37746372%35%
Leitura40846151%31%
Ciências40948252%26%

Na outra ponta, a dos alunos que resolvem problemas complexos (níveis 5 e 6), a nota da OCDE sobre o Brasil diz que quase nenhum estudante brasileiro chegou lá em matemática, contra 8% na média da OCDE. Em ciências e em leitura, foi 1% (médias da OCDE: 7% e 6%).

Um detalhe de leitura dos números: o Inep, nos slides de divulgação, usa outra régua, a média dos 23 países da OCDE que fazem a prova desde 2000 (469 em matemática, 466 em leitura, 486 em ciências em 2025). Por isso jornais diferentes publicam médias diferentes. Nenhuma das duas está errada; elas medem grupos de países diferentes.

A escola brasileira melhorou ou ficou parada?

Ficou parada, e há bastante tempo. A série do próprio Inep mostra a matemática do Brasil assim: 356 pontos em 2003, 370 em 2006, 386 em 2009, 389 em 2012, 377 em 2015, 384 em 2018, 379 em 2022 e 377 em 2025. Em leitura, o país fez 396 em 2000 e 408 em 2025. Em ciências, 390 em 2006 e 409 em 2025, a maior nota da série, embora a OCDE não considere a diferença para 2022 significativa.

A nota da OCDE sobre o Brasil resume: nas três disciplinas, o resultado de 2025 "permaneceu próximo" ao de todas as avaliações feitas no país desde 2015. A fatia de alunos abaixo do nível 2 em matemática e em leitura não mudou de forma significativa nesses dez anos; em ciências, caiu quatro pontos percentuais.

A apresentação do Inep tem outro título: "Educação brasileira está mais próxima dos países desenvolvidos". A conta está certa. A distância para a média dos 23 países caiu de 131 para 92 pontos em matemática entre 2006 e 2025, de 102 para 58 em leitura e de 113 para 77 em ciências. Entre mais de 50 países com as duas edições, o Brasil ficou em 7º lugar entre os que mais cresceram em leitura e em matemática.

Só que a mesma tabela mostra de onde veio a aproximação. Em matemática, o Brasil subiu 7 pontos em quase vinte anos; a média dos 23 países da OCDE caiu 32. Em leitura, o Brasil subiu 15; a OCDE caiu 29. Só em ciências o avanço brasileiro (18 pontos) pesou tanto quanto a queda dos outros (17). Encurtar a distância porque o da frente tropeçou não é o mesmo que andar.

O que acontece dentro da sala de aula?

O questionário que acompanha a prova ajuda a entender o resultado. Em 2025, 44% dos estudantes brasileiros relataram que barulho e desordem interromperam a maior parte ou todas as aulas de ciências (média da OCDE: 31%). Um em cada quatro disse que não consegue trabalhar bem na maioria das aulas (OCDE: 19%), e 34% contaram que os colegas não ouvem o que o professor diz (OCDE: 29%).

Faltar também pesa. Cerca de 55% disseram ter perdido ao menos um dia de aula nas duas semanas anteriores à prova, contra 22% na média da OCDE.

O problema não é, pelo que os diretores informam, falta de professor ou de material. Só 21% dos alunos brasileiros estavam em escolas cujo diretor disse que a falta de docentes atrapalha o ensino (OCDE: 39%). A falta de material didático apareceu para 26%. E os alunos falam bem dos professores: 82% disseram que o professor de ciências se interessa pela aprendizagem de cada um (OCDE: 69%).

Há também uma boa notícia, e convém dizê-la. Em 2025, 81% dos estudantes estavam em escolas que proíbem o celular, contra 37% em 2022 (média da OCDE: 49%). O Inep liga a mudança à Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025, que regulou o uso de aparelhos eletrônicos pelos alunos da educação básica. Na média da OCDE, quem estuda em escola sem celular tem cerca de 13% menos chance de relatar distração digital.

Outro número da amostra do Inep ajuda a ver o atraso: dos jovens de 15 anos que fizeram a prova, cerca de 15% ainda estavam no 7º, 8º ou 9º ano do ensino fundamental.

Quem fica para trás?

O PISA põe todos os alunos do mundo numa mesma escala socioeconômica. Por ela, 35% dos estudantes brasileiros estavam entre os mais desfavorecidos de todos os que fizeram a prova em 2025, com média de 380 pontos em ciências.

Dentro do país, os 25% mais favorecidos superaram os 25% menos favorecidos em 96 pontos em ciências. Na média da OCDE, essa distância é de 85. E ela cresceu no Brasil entre 2015 e 2025, enquanto diminuía na OCDE: no período, a nota dos alunos favorecidos melhorou e a dos desfavorecidos ficou onde estava. Segundo a nota técnica do Todos Pela Educação, entre os estudantes mais pobres 89% têm baixo desempenho em matemática.

Só cerca de 10% dos alunos desfavorecidos conseguiram chegar ao quarto de melhor desempenho do país em ciências (OCDE: 12%). A escola deveria ser a escada de quem nasce sem nada. Os números mostram uma escada que quase não sobe.

E a família, onde entra nessa conta?

Este é o dado do PISA 2025 que mais deveria preocupar quem pensa a educação a partir de casa. Em 2025, 51% dos estudantes brasileiros disseram que os pais perguntam, pelo menos uma vez por semana, o que fizeram na escola. Em 2022 eram 62%. Os que conversam toda semana com os pais sobre problemas na escola caíram de 55% para 41%. A OCDE registrou a mesma queda em quase todos os países.

O PISA não diz por que a queda aconteceu. Mas ela mostra uma família que se afasta daquilo que o filho aprende, e isso combina com o modelo de escola que conhecemos, que nasceu na Prússia (a história e as fontes estão aqui) e acostumou várias gerações a entregar o filho no portão e a esperar o boletim no fim do bimestre.

A tradição cristã começa do outro lado. "Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te" (Deuteronômio 6.6-7, ARA). A ordem foi dada aos pais, e o lugar é a casa. A escola e o Estado podem ajudar; não substituem. É o princípio da subsidiariedade, e é o que explicamos em os pais como primeiros educadores.

O que o PISA não mede?

Três limites, para usar o PISA com honestidade.

Quem estuda em casa não está na conta. A amostra é sorteada entre escolas. Os 30.140 alunos brasileiros representam cerca de 2,2 milhões de jovens, uns 76% de todos os brasileiros de 15 anos, segundo a OCDE. Não existe, por isso, um "PISA da educação domiciliar", e ninguém deve usar a prova para dizer que quem estuda em casa vai melhor ou pior. O que o PISA mede é a escola, e é sobre ela que fala.

A prova mede letramento, não formação. Ela pergunta se o jovem lê, calcula e raciocina sobre ciência. Não pergunta se ele conhece a história do próprio país, se leu um livro inteiro, se sabe distinguir o bem do mal. Uma educação que forma a pessoa inteira, como a educação clássica, olha para mais do que o PISA consegue ver.

O déficit continua depois da escola. O Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) de 2024, divulgado em maio de 2025, encontrou 29% de analfabetos funcionais entre os brasileiros de 15 a 64 anos, o mesmo patamar de 2018. O aluno que sai da escola sem ler bem vira o adulto que não entende um contrato.

O que uma família que educa em casa pode tirar desses números?

Primeiro, uma régua. As descrições dos níveis do PISA são um bom retrato do que um jovem de 15 anos deveria fazer. No nível 2 de leitura, ele identifica a ideia principal de um texto de tamanho médio e encontra informações por critérios explícitos. No nível 5, entende textos longos, lida com ideias abstratas e distingue fato de opinião por pistas que o texto não diz às claras. Em matemática, o nível 2 é representar uma situação simples com números sem que alguém diga como.

Segundo, um lembrete. Tempo sentado na carteira não é aprendizado. O jovem brasileiro passa anos na escola, e a OCDE descreve dez anos de resultado quase igual. O que faz diferença é o que acontece em cada hora: ler textos inteiros, explicar com as próprias palavras o que leu, resolver problemas da vida da casa, das compras à viagem.

Terceiro, uma resposta para o almoço de domingo. Quando alguém disser que tirar o filho da escola é arriscado, os números estão aí, publicados pela OCDE e pelo próprio Inep. Quem quiser entender o que a lei permite encontra o quadro em homeschooling no Brasil.

E, por fim, medir. A família que educa em casa não tem o PISA, mas pode, e deve, saber com clareza onde o filho está em leitura e matemática, sem esperar a opinião de ninguém.

Perguntas frequentes

O PISA 2025 já saiu?

Sim. A OCDE divulgou o primeiro volume do PISA 2025 em 8 de setembro de 2026, e o Inep publicou os números do Brasil no mesmo dia. Ele traz ciências (a área principal desta edição), matemática, leitura e resolução de problemas com ferramentas computacionais. As análises sobre aprendizagem autorregulada estão previstas para 2027.

Qual foi a nota do Brasil no PISA 2025?

377 pontos em matemática, 408 em leitura e 409 em ciências. A média da OCDE foi de 463, 461 e 482. Em resolução de problemas com ferramentas computacionais, o Brasil fez 406, também abaixo da média da OCDE.

O Brasil melhorou no PISA?

Pouco, e devagar. A OCDE considera o resultado de 2025 praticamente igual ao de 2022 nas três áreas, e perto de todas as edições desde 2015. Desde 2006, o país subiu 7 pontos em matemática, 15 em leitura e 18 em ciências. A distância para os países ricos caiu, sobretudo, porque a média deles caiu.

Como o Brasil fica em comparação com os vizinhos?

Em matemática, o Brasil (377) ficou à frente de Argentina (367) e Paraguai, e atrás de Colômbia (381), Peru, México (388), Chile (403) e Uruguai (405), segundo a OCDE e o Inep. Em leitura, ficou à frente de Argentina, Colômbia, Peru e Paraguai, praticamente empatado com o México (408), e atrás de Chile (436) e Uruguai (423).

Quem estuda em casa faz o PISA?

Não. A amostra do PISA é sorteada entre escolas, e por isso a prova não diz nada sobre quem é educado em casa, nem para melhor nem para pior. A família que educa em casa precisa de outra forma de saber onde o filho está, como uma prova de nivelamento.

O que significa ficar abaixo do nível 2?

É ficar abaixo do que a OCDE chama de nível mínimo de proficiência. Em matemática, quem não chega ao nível 2 não consegue, sem ajuda, representar com números uma situação simples, como comparar duas rotas ou converter um preço para outra moeda.

Fontes

  1. OCDE. PISA 2025 Results (Volume I): Future-Ready Students. Paris: OECD Publishing, 2026. https://doi.org/10.1787/73451bc5-en
  2. OCDE. Resultados do PISA 2025 (Volume I), notas por país: Brasil, tradução do Inep, 2026. https://www.oecd.org/en/publications/2026/09/pisa-2025-results-volume-i-country-notes_88d1164e/brazil_6cc1576c.html
  3. Inep. PISA 2025: Resultados Brasil (apresentação de divulgação), setembro de 2026. https://download.inep.gov.br/acoes_internacionais/pisa/resultados/2025/resultados_pisa_2025.pdf
  4. Todos Pela Educação. Pisa 2025 indica que Brasil permanece estável em relação à edição anterior, 8 de setembro de 2026. https://todospelaeducacao.org.br/noticias/pisa-2025-indica-que-brasil-permanece-estavel-em-relacao-a-edicao-anterior-mas-distante-de-garantir-niveis-adequados-de-aprendizagem-a-todos-os-estudantes/
  5. Brasil. Lei nº 15.100, de 13 de janeiro de 2025 (uso de aparelhos eletrônicos portáteis na educação básica), 2025. https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/_ato2023-2026/2025/lei/L15100.htm
  6. Ação Educativa e Conhecimento Social. Indicador de Alfabetismo Funcional (Inaf) 2024, divulgado em 5 de maio de 2025. https://alfabetismofuncional.org.br/
  7. Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada (ARA). Deuteronômio 6.6-7.

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