Pais como primeiros educadores: o que dizem a Bíblia, a Constituição e os tratados
Deuteronômio 6, Efésios 6.4, os artigos 205 e 229 da Constituição, a Declaração Universal e o Pacto de San José: por que educar os filhos é dever dos pais.

São nove da noite. A criança já escovou os dentes, já pediu água duas vezes e, do nada, pergunta por que Deus deixou o avô ficar doente. Não há professor por perto, nem apostila, nem plano de aula. Há o pai, sentado na beira da cama, procurando o que dizer.
Foi essa hora, e não outra, que Deuteronômio escolheu quando mandou Israel ensinar os filhos: "ao deitar-te".
A resposta curta
A Bíblia põe a educação dos filhos, antes de tudo, nas mãos do pai e da mãe. Deuteronômio 6.6-7 manda ensinar "assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te", e Efésios 6.4 manda os pais criarem os filhos "na disciplina e na admoestação do Senhor". A lei brasileira e os tratados que o Brasil assinou dizem o mesmo com outras palavras: a Constituição dá aos pais o dever de "assistir, criar e educar os filhos menores" (art. 229), a Declaração Universal dos Direitos Humanos dá a eles "prioridade de direito" na escolha da instrução (art. 26.3) e o Pacto de San José garante que os filhos recebam a educação religiosa e moral de acordo com as convicções dos pais (art. 12.4).
O que a Bíblia diz sobre educar os filhos?
O texto central está no coração da confissão de fé de Israel, o Shemá. Quem o recita até hoje começa pelo versículo 4 e segue sem parar até a ordem de ensinar os filhos:
Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. (Deuteronômio 6.4-7, ARA)
Repare na ordem. Primeiro o amor a Deus, depois a palavra guardada no coração de quem ensina, e só então os filhos. O ensino não é um setor separado da fé: é a fé passando de uma geração para a outra. O verbo hebraico que a ARA traduz por "inculcarás" (shanan) tem o sentido de afiar, como se afia uma lâmina: de novo, e de novo. É repetição paciente, e não palestra.
Os quatro momentos do versículo 7 cobrem o dia inteiro: a casa, o caminho, a noite, a manhã. Não descrevem uma aula, descrevem uma vida. E o capítulo continua: os versículos 8 e 9 mandam escrever essas palavras "nos umbrais de tua casa e nas tuas portas". A casa é o primeiro lugar onde a lei de Deus fica visível para a criança.
O mesmo capítulo prevê a pergunta do filho e diz quem responde:
Quando teu filho, no futuro, te perguntar, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos, e juízos que o SENHOR, nosso Deus, vos ordenou? Então, dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó, no Egito; porém o SENHOR de lá nos tirou com poderosa mão. (Deuteronômio 6.20-21, ARA)
A pergunta chega ao pai, e o pai responde contando uma história, a história da própria família. Não é a primeira vez que o tema aparece, e não será a última:
- Em Gênesis 18.19, Deus diz por que escolheu Abraão: "para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo".
- Em Deuteronômio 4.9, a ordem é não esquecer o que os olhos viram e fazer saber "a teus filhos e aos filhos de teus filhos".
- Em Deuteronômio 11.19, o mandamento do capítulo 6 é repetido quase palavra por palavra: "Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa".
- No Salmo 78.4-6, o salmista conta quatro gerações numa frase só: os pais, os filhos, "a nova geração" e os "filhos que ainda hão de nascer".
A Escritura volta ao assunto tantas vezes porque sabe que é ali que a fé se perde ou se guarda: na passagem de pai para filho.
Educar é tarefa do pai e da mãe, ou só da mãe?
Dos dois. Provérbios abre a parte dos conselhos ao filho assim: "Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe" (Provérbios 1.8, ARA). Pai e mãe aparecem lado a lado, cada um com a sua palavra.
No Novo Testamento, Paulo fala diretamente ao pai: "E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Efésios 6.4, ARA). No grego, as duas palavras são paideia, a formação inteira, com exemplo, hábito e correção, e nouthesia, a palavra que adverte e põe juízo na cabeça. A carta aos Colossenses traz o freio do mesmo ensino: "Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados" (Colossenses 3.21, ARA).
Isso pesa para quem educa em casa. Na maior parte das famílias, quem segura o dia a dia é a mãe. A Bíblia não tira dela esse mérito, mas também não deixa o pai de fora: a ordem de Efésios tem o pai como destinatário.
E há o caso de Timóteo. Paulo lembra a fé que "habitou em tua avó Loide e em tua mãe Eunice" (2 Timóteo 1.5, ARA) e diz que ele, "desde a infância", conhecia "as sagradas letras" (2 Timóteo 3.15, ARA). O livro de Atos conta que a mãe de Timóteo era judia crente e o pai, grego (Atos 16.1). O texto não fala do pai ensinando; fala da mãe e da avó, e registra isso com honra.
O que significa "ensina a criança no caminho em que deve andar"?
É o versículo mais citado sobre o assunto:
Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (Provérbios 22.6, ARA)
O verbo hebraico (chanakh) é o mesmo usado para a dedicação de uma casa nova (Deuteronômio 20.5) e para a consagração do templo de Salomão (1 Reis 8.63). Ensinar, nesse sentido, é inaugurar: dar à criança o primeiro uso, a direção de saída. Por isso o provérbio fala de "caminho", e não de matéria. A direção vem antes do conteúdo.
A Bíblia proíbe que outra pessoa ensine os filhos?
Não. Paulo diz que foi "instruído aos pés de Gamaliel" (Atos 22.3, ARA), um mestre da lei. Jesus, em Nazaré, "era-lhes submisso" e "crescia em sabedoria, estatura e graça" (Lucas 2.51-52, ARA), na casa de José e Maria. Mestres, livros e escolas aparecem na Escritura sem condenação.
O que a Bíblia não permite é outra coisa: que os pais entreguem a responsabilidade. Uma tarefa pode ser delegada; a resposta diante de Deus, não. A família que manda o filho para a escola continua respondendo pelo que ele aprende lá. E a família que educa em casa não cumpre Deuteronômio só por estar em casa: o versículo 6 vem antes do 7, e a palavra precisa estar primeiro no coração de quem ensina. Educar em casa sem formar o coração é trocar uma sala de aula por outra.
Como a tradição cristã leu esses textos?
Protestantes e católicos chegaram ao mesmo lugar por caminhos diferentes.
Em 1529, Martinho Lutero publicou o Catecismo Menor e deu a cada parte um título que diz para quem o livro foi escrito. Os Dez Mandamentos vêm "como o chefe de família deve ensiná-los, de modo simples, à sua casa" (no alemão, wie sie ein Hausvater seinem Gesinde einfältiglich fürhalten soll). O catecismo da Reforma foi escrito para a mesa da família tanto quanto para o púlpito.
Em 1965, o Concílio Vaticano II escreveu na declaração Gravissimum Educationis que os pais, por terem transmitido a vida aos filhos, "devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores" (n. 3). É dali que vem a expressão que dá nome a este artigo. O mesmo documento chama a família de "a primeira escola das virtudes sociais".
O documento católico também nomeia o princípio que organiza tudo isso: a subsidiariedade. Pio XI o tinha formulado em 1931, na encíclica Quadragesimo Anno (n. 79): é injusto passar para uma sociedade maior aquilo que uma sociedade menor consegue fazer, porque o fim da sociedade maior é ajudar os membros, e não absorvê-los. Aplicado à educação, o Vaticano II diz que cabe ao poder público "defender os deveres e direitos dos pais" e auxiliá-los, completando a obra "se falharem os esforços dos pais", e sempre "tendo, todavia, em consideração, os desejos dos pais" (n. 3).
Dito de forma simples: o Estado serve a família, e não a substitui. Para quem quer ver o contrário na história, o modelo de escola que tirou a direção da família e a entregou ao governo tem data e endereço, e está contado em a escola que conhecemos nasceu na Prússia.
O que diz a Constituição sobre o dever dos pais de educar?
A Constituição de 1988 trata a educação em dois lugares, e os dois envolvem a família. O primeiro é o artigo 205:
Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.
A educação é dever de dois: do Estado e da família. Nenhum dos dois é dono sozinho. O segundo lugar é o artigo 229, que fala só dos pais:
Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.
Aqui não aparece o Estado. O dever de educar está ao lado do dever de criar e de assistir, e o mesmo artigo fecha o ciclo com o dever dos filhos de amparar os pais na velhice. É a família descrita como uma aliança entre gerações, muito perto do Salmo 78.
Três outros pontos da Constituição completam o quadro. O artigo 226 diz que "a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado". O artigo 206 põe entre os princípios do ensino a "liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (inciso II) e o "pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas" (inciso III).
As leis abaixo da Constituição seguem a mesma linha:
- LDB (Lei 9.394/1996), art. 2º: "A educação, dever da família e do Estado". A lei da educação inverte a ordem e põe a família primeiro.
- ECA (Lei 8.069/1990), art. 22: "Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda, convivência, assistência material e afetiva e educação dos filhos menores" (redação dada pela Lei 15.240, de 2025).
- Código Civil (Lei 10.406/2002), art. 1.634, I: compete aos pais, no exercício do poder familiar, "dirigir-lhes a criação e a educação".
Dirigir. É a palavra exata do Código Civil, e é a mesma ideia de Provérbios 22.6: a direção é dos pais.
Por honestidade, o outro lado também está na lei. O artigo 6º da LDB diz que "é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade". É por causa desse artigo, e da falta de uma lei que regule o ensino em casa, que a discussão chegou ao Supremo (veja abaixo).
O que diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. 26.3?
A Assembleia Geral da ONU aprovou a Declaração em 10 de dezembro de 1948 (Resolução 217 A (III)). O artigo 26 trata da instrução, e o terceiro parágrafo é curto:
3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.
Prioridade diante de quem? Diante de todos os outros que poderiam querer escolher: a escola, o partido, o governo. O artigo 16.3 da mesma Declaração diz por quê: "A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado."
A data ajuda a ler o texto. Doze anos antes, em 1º de dezembro de 1936, a Alemanha tinha publicado a lei da Juventude Hitlerista, cujo § 2º mandava que toda a juventude alemã fosse educada, "além de na casa paterna e na escola", dentro da organização do partido, "no espírito do nacional-socialismo" (Reichsgesetzblatt 1936, I, p. 993). O mundo que escreveu a Declaração tinha acabado de ver o que acontece quando o Estado decide que a formação moral das crianças é assunto dele.
A Declaração é uma declaração, e não um tratado. Mas o mesmo direito entrou depois em dois pactos da ONU que o Brasil promulgou em 6 de julho de 1992:
- Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, art. 13 (Decreto 591/1992): os Estados se comprometem a respeitar a liberdade dos pais "de escolher para seus filhos escolas distintas daquelas criadas pelas autoridades públicas" e "de fazer com que seus filhos venham a receber educação religiosa ou moral que esteja de acordo com suas próprias convicções".
- Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, art. 18.4 (Decreto 592/1992): os Estados se comprometem a respeitar a liberdade dos pais "de assegurar a educação religiosa e moral dos filhos que esteja de acordo com suas próprias convicções".
O que garante o Pacto de San José, art. 12.4?
A Convenção Americana sobre Direitos Humanos foi assinada em San José da Costa Rica em 22 de novembro de 1969. O Brasil depositou a carta de adesão em 25 de setembro de 1992 e a promulgou pelo Decreto 678, de 6 de novembro de 1992. O artigo 12 trata da liberdade de consciência e de religião, e o item 4 diz:
4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.
O lugar onde o item foi posto diz muito. Ele não está num artigo sobre escola: está no artigo sobre religião. Para a Convenção, educar os filhos na própria fé é parte da liberdade religiosa dos pais.
E esse texto tem força no Brasil. Em 3 de dezembro de 2008, no RE 466.343, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os tratados de direitos humanos aprovados sem o rito especial do art. 5º, § 3º, da Constituição valem acima das leis comuns e abaixo da Constituição (o chamado status supralegal). O Pacto de San José está nesse grupo. Pela lógica dessa decisão, lei comum que contrarie o artigo 12.4 não prevalece sobre ele.
| Documento | Ano | O que diz sobre os pais | Força no Brasil |
|---|---|---|---|
| Constituição, art. 205 | 1988 | educação é dever do Estado e da família | norma constitucional |
| Constituição, art. 229 | 1988 | os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores | norma constitucional |
| Código Civil, art. 1.634, I | 2002 | cabe aos pais dirigir a criação e a educação dos filhos | lei federal |
| Declaração Universal, art. 26.3 | 1948 | os pais têm prioridade de direito na escolha da instrução | declaração da ONU, sem força de tratado |
| PIDESC, art. 13 | 1966 (Brasil, 1992) | liberdade de escolher escolas distintas das públicas e educação religiosa e moral conforme as convicções dos pais | tratado promulgado (Decreto 591/1992) |
| Pacto de San José, art. 12.4 | 1969 (Brasil, 1992) | educação religiosa e moral conforme as convicções dos pais | tratado promulgado (Decreto 678/1992), supralegal |
Se a lei diz tudo isso, por que o STF não reconheceu o ensino domiciliar?
Porque a pergunta que chegou ao Supremo foi outra. Em 12 de setembro de 2018, no RE 888.815 (Tema 822 da repercussão geral), o plenário fixou a tese de que "não existe direito público subjetivo do aluno ou de sua família ao ensino domiciliar, inexistente na legislação brasileira".
O ponto está no fim da frase: "inexistente na legislação brasileira". A maioria acompanhou o voto do ministro Alexandre de Moraes, para quem a Constituição não proíbe o ensino domiciliar, mas exige uma lei que o regule, com avaliação e fiscalização. Enquanto essa lei não existe, a família não pode exigir o reconhecimento na Justiça. O que diz a lei hoje, ponto por ponto, está em educação domiciliar é legal no Brasil?, e a acusação mais usada contra as famílias está respondida em homeschooling é crime de abandono intelectual?.
Uma coisa a decisão não fez: não tirou dos pais o dever do artigo 229, nem o direito dos tratados. A discussão no tribunal é sobre a forma (onde e como a criança estuda, e como o Estado confere). A direção da educação, que a Bíblia, a Constituição e os pactos põem nas mãos dos pais, nunca esteve em julgamento.
O que isso muda na casa de quem já educa os filhos?
Muda menos o horário e mais o olhar. Cinco coisas saem diretamente dos textos acima:
- O coração vem antes da apostila. Deuteronômio 6.6 vem antes do 6.7. O que o pai e a mãe não amam, não conseguem passar adiante.
- A pergunta da criança é a melhor aula. Deuteronômio 6.20 prevê a pergunta e manda responder. A pergunta da hora de dormir não é interrupção do plano: é o plano.
- A história da família faz parte do currículo. O Salmo 78 manda contar o que Deus fez. Avós, mudanças, dificuldades, livramentos: a criança aprende quem é ouvindo de onde veio.
- O pai também ensina. Efésios 6.4 fala com ele. Uma leitura em voz alta à noite, uma conversa no carro, o conserto feito junto no sábado.
- Firmeza sem desânimo. Colossenses 3.21 lembra que o filho desanimado não aprende. Disciplina, sim; irritação constante, não.
Quem quer dar a esse dia a dia um desenho mais firme encontra a tradição que a Igreja usou por séculos em o que é educação clássica e o Trivium, e quem está nas primeiras semanas pode começar por como começar a educar em casa.
E para a discussão no almoço de domingo, a resposta cabe em duas linhas. Quando alguém disser que educação é assunto do Estado, o artigo 205 responde que é dever "do Estado e da família", e o artigo 229 responde que educar os filhos é dever dos pais. Antes de qualquer um deles, Deuteronômio já tinha dito o mesmo.
Perguntas frequentes
Qual versículo diz que os pais são os primeiros educadores?
Nenhum versículo usa essa expressão, que vem da declaração Gravissimum Educationis, do Concílio Vaticano II (1965). A base bíblica está em Deuteronômio 6.6-7, Deuteronômio 11.19, Provérbios 1.8, Provérbios 22.6 e Efésios 6.4, todos dando aos pais a tarefa de ensinar os filhos.
A Bíblia manda tirar os filhos da escola?
Não. A Bíblia não proíbe mestres nem escolas: Paulo foi instruído por Gamaliel (Atos 22.3). Ela proíbe que os pais entreguem a responsabilidade. A família pode delegar tarefas, mas continua respondendo a Deus pela direção da educação dos filhos.
O que diz o artigo 229 da Constituição?
"Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade." O artigo 205 completa: a educação é dever do Estado e da família.
A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante o homeschooling?
Ela não cita o ensino em casa. O artigo 26.3 diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução dos filhos. No Brasil, o STF decidiu em 2018 (RE 888.815) que o ensino domiciliar precisa de lei própria para ser exigido.
O Pacto de San José vale no Brasil?
Vale. O Brasil aderiu em 25 de setembro de 1992 e promulgou a Convenção pelo Decreto 678, de 6 de novembro de 1992. Desde o RE 466.343 (2008), o STF considera que esse tipo de tratado de direitos humanos fica acima das leis comuns.
Fontes
- Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada, 2ª ed., Sociedade Bíblica do Brasil, 1993 (Deuteronômio 6): https://www.bibliaonline.com.br/ara/dt/6
- Constituição da República Federativa do Brasil, arts. 205, 206, 226 e 229, 1988: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
- Lei 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, arts. 2º e 6º, 1996: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
- Lei 8.069, Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 22, 1990 (redação da Lei 15.240/2025): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
- Lei 10.406, Código Civil, art. 1.634, 2002: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
- ONU, Declaração Universal dos Direitos Humanos, arts. 16 e 26, 1948 (texto em português no UNICEF Brasil): https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos
- Decreto 678, promulga a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), 1992: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm
- Decreto 591, promulga o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, 1992: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0591.htm
- Decreto 592, promulga o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, 1992: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0592.htm
- STF, RE 888.815 (Tema 822), julgado em 12/09/2018: https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-nega-recurso-que-pedia-reconhecimento-de-direito-a-ensino-domiciliar/
- STF, RE 466.343, julgado em 03/12/2008: https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search?base=acordaos&classeNumeroIncidente=%22RE%20466343%22
- Concílio Vaticano II, Declaração Gravissimum Educationis, n. 3, 1965: https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_gravissimum-educationis_po.html
- Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno, n. 79, 1931: https://www.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html
- Martinho Lutero, Catecismo Menor, 1529 (texto alemão e inglês em Philip Schaff, The Creeds of Christendom): https://ccel.org/ccel/schaff/creeds3.iii.iii.html
- Gesetz über die Hitler-Jugend, 1º/12/1936, Reichsgesetzblatt 1936, I, p. 993 (German History in Documents and Images): https://germanhistorydocs.org/de/deutschland-nationalsozialismus-1933-1945/gesetz-ueber-die-hitler-jugend-1-dezember-1936






