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Fé e FamíliaReflexão

Pais como primeiros educadores: o que dizem a Bíblia, a Constituição e os tratados

Deuteronômio 6, Efésios 6.4, os artigos 205 e 229 da Constituição, a Declaração Universal e o Pacto de San José: por que educar os filhos é dever dos pais.

Por Redação Educando em Casa · · 18 min de leitura

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O Retorno do Filho Pródigo, de Rembrandt: o pai, de manto vermelho, pousa as duas mãos nas costas do filho ajoelhado
O Retorno do Filho Pródigo, Rembrandt van Rijn, c. 1668, Museu Hermitage, São Petersburgo, domínio público (via Wikimedia Commons)

São nove da noite. A criança já escovou os dentes, já pediu água duas vezes e, do nada, pergunta por que Deus deixou o avô ficar doente. Não há professor por perto, nem apostila, nem plano de aula. Há o pai, sentado na beira da cama, procurando o que dizer.

Foi essa hora, e não outra, que Deuteronômio escolheu quando mandou Israel ensinar os filhos: "ao deitar-te".

A resposta curta

A Bíblia põe a educação dos filhos, antes de tudo, nas mãos do pai e da mãe. Deuteronômio 6.6-7 manda ensinar "assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te", e Efésios 6.4 manda os pais criarem os filhos "na disciplina e na admoestação do Senhor". A lei brasileira e os tratados que o Brasil assinou dizem o mesmo com outras palavras: a Constituição dá aos pais o dever de "assistir, criar e educar os filhos menores" (art. 229), a Declaração Universal dos Direitos Humanos dá a eles "prioridade de direito" na escolha da instrução (art. 26.3) e o Pacto de San José garante que os filhos recebam a educação religiosa e moral de acordo com as convicções dos pais (art. 12.4).

O que a Bíblia diz sobre educar os filhos?

O texto central está no coração da confissão de fé de Israel, o Shemá. Quem o recita até hoje começa pelo versículo 4 e segue sem parar até a ordem de ensinar os filhos:

Ouve, Israel, o SENHOR, nosso Deus, é o único SENHOR. Amarás, pois, o SENHOR, teu Deus, de todo o teu coração, de toda a tua alma e de toda a tua força. Estas palavras que, hoje, te ordeno estarão no teu coração; tu as inculcarás a teus filhos, e delas falarás assentado em tua casa, e andando pelo caminho, e ao deitar-te, e ao levantar-te. (Deuteronômio 6.4-7, ARA)

Repare na ordem. Primeiro o amor a Deus, depois a palavra guardada no coração de quem ensina, e só então os filhos. O ensino não é um setor separado da fé: é a fé passando de uma geração para a outra. O verbo hebraico que a ARA traduz por "inculcarás" (shanan) tem o sentido de afiar, como se afia uma lâmina: de novo, e de novo. É repetição paciente, e não palestra.

Os quatro momentos do versículo 7 cobrem o dia inteiro: a casa, o caminho, a noite, a manhã. Não descrevem uma aula, descrevem uma vida. E o capítulo continua: os versículos 8 e 9 mandam escrever essas palavras "nos umbrais de tua casa e nas tuas portas". A casa é o primeiro lugar onde a lei de Deus fica visível para a criança.

O mesmo capítulo prevê a pergunta do filho e diz quem responde:

Quando teu filho, no futuro, te perguntar, dizendo: Que significam os testemunhos, e estatutos, e juízos que o SENHOR, nosso Deus, vos ordenou? Então, dirás a teu filho: Éramos servos de Faraó, no Egito; porém o SENHOR de lá nos tirou com poderosa mão. (Deuteronômio 6.20-21, ARA)

A pergunta chega ao pai, e o pai responde contando uma história, a história da própria família. Não é a primeira vez que o tema aparece, e não será a última:

  • Em Gênesis 18.19, Deus diz por que escolheu Abraão: "para que ordene a seus filhos e a sua casa depois dele, a fim de que guardem o caminho do SENHOR e pratiquem a justiça e o juízo".
  • Em Deuteronômio 4.9, a ordem é não esquecer o que os olhos viram e fazer saber "a teus filhos e aos filhos de teus filhos".
  • Em Deuteronômio 11.19, o mandamento do capítulo 6 é repetido quase palavra por palavra: "Ensinai-as a vossos filhos, falando delas assentados em vossa casa".
  • No Salmo 78.4-6, o salmista conta quatro gerações numa frase só: os pais, os filhos, "a nova geração" e os "filhos que ainda hão de nascer".

A Escritura volta ao assunto tantas vezes porque sabe que é ali que a fé se perde ou se guarda: na passagem de pai para filho.

Educar é tarefa do pai e da mãe, ou só da mãe?

Dos dois. Provérbios abre a parte dos conselhos ao filho assim: "Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixes a instrução de tua mãe" (Provérbios 1.8, ARA). Pai e mãe aparecem lado a lado, cada um com a sua palavra.

No Novo Testamento, Paulo fala diretamente ao pai: "E vós, pais, não provoqueis vossos filhos à ira, mas criai-os na disciplina e na admoestação do Senhor" (Efésios 6.4, ARA). No grego, as duas palavras são paideia, a formação inteira, com exemplo, hábito e correção, e nouthesia, a palavra que adverte e põe juízo na cabeça. A carta aos Colossenses traz o freio do mesmo ensino: "Pais, não irriteis os vossos filhos, para que não fiquem desanimados" (Colossenses 3.21, ARA).

Isso pesa para quem educa em casa. Na maior parte das famílias, quem segura o dia a dia é a mãe. A Bíblia não tira dela esse mérito, mas também não deixa o pai de fora: a ordem de Efésios tem o pai como destinatário.

E há o caso de Timóteo. Paulo lembra a fé que "habitou em tua avó Loide e em tua mãe Eunice" (2 Timóteo 1.5, ARA) e diz que ele, "desde a infância", conhecia "as sagradas letras" (2 Timóteo 3.15, ARA). O livro de Atos conta que a mãe de Timóteo era judia crente e o pai, grego (Atos 16.1). O texto não fala do pai ensinando; fala da mãe e da avó, e registra isso com honra.

O que significa "ensina a criança no caminho em que deve andar"?

É o versículo mais citado sobre o assunto:

Ensina a criança no caminho em que deve andar, e, ainda quando for velho, não se desviará dele. (Provérbios 22.6, ARA)

O verbo hebraico (chanakh) é o mesmo usado para a dedicação de uma casa nova (Deuteronômio 20.5) e para a consagração do templo de Salomão (1 Reis 8.63). Ensinar, nesse sentido, é inaugurar: dar à criança o primeiro uso, a direção de saída. Por isso o provérbio fala de "caminho", e não de matéria. A direção vem antes do conteúdo.

A Bíblia proíbe que outra pessoa ensine os filhos?

Não. Paulo diz que foi "instruído aos pés de Gamaliel" (Atos 22.3, ARA), um mestre da lei. Jesus, em Nazaré, "era-lhes submisso" e "crescia em sabedoria, estatura e graça" (Lucas 2.51-52, ARA), na casa de José e Maria. Mestres, livros e escolas aparecem na Escritura sem condenação.

O que a Bíblia não permite é outra coisa: que os pais entreguem a responsabilidade. Uma tarefa pode ser delegada; a resposta diante de Deus, não. A família que manda o filho para a escola continua respondendo pelo que ele aprende lá. E a família que educa em casa não cumpre Deuteronômio só por estar em casa: o versículo 6 vem antes do 7, e a palavra precisa estar primeiro no coração de quem ensina. Educar em casa sem formar o coração é trocar uma sala de aula por outra.

Como a tradição cristã leu esses textos?

Protestantes e católicos chegaram ao mesmo lugar por caminhos diferentes.

Em 1529, Martinho Lutero publicou o Catecismo Menor e deu a cada parte um título que diz para quem o livro foi escrito. Os Dez Mandamentos vêm "como o chefe de família deve ensiná-los, de modo simples, à sua casa" (no alemão, wie sie ein Hausvater seinem Gesinde einfältiglich fürhalten soll). O catecismo da Reforma foi escrito para a mesa da família tanto quanto para o púlpito.

Em 1965, o Concílio Vaticano II escreveu na declaração Gravissimum Educationis que os pais, por terem transmitido a vida aos filhos, "devem ser reconhecidos como seus primeiros e principais educadores" (n. 3). É dali que vem a expressão que dá nome a este artigo. O mesmo documento chama a família de "a primeira escola das virtudes sociais".

O documento católico também nomeia o princípio que organiza tudo isso: a subsidiariedade. Pio XI o tinha formulado em 1931, na encíclica Quadragesimo Anno (n. 79): é injusto passar para uma sociedade maior aquilo que uma sociedade menor consegue fazer, porque o fim da sociedade maior é ajudar os membros, e não absorvê-los. Aplicado à educação, o Vaticano II diz que cabe ao poder público "defender os deveres e direitos dos pais" e auxiliá-los, completando a obra "se falharem os esforços dos pais", e sempre "tendo, todavia, em consideração, os desejos dos pais" (n. 3).

Dito de forma simples: o Estado serve a família, e não a substitui. Para quem quer ver o contrário na história, o modelo de escola que tirou a direção da família e a entregou ao governo tem data e endereço, e está contado em a escola que conhecemos nasceu na Prússia.

O que diz a Constituição sobre o dever dos pais de educar?

A Constituição de 1988 trata a educação em dois lugares, e os dois envolvem a família. O primeiro é o artigo 205:

Art. 205. A educação, direito de todos e dever do Estado e da família, será promovida e incentivada com a colaboração da sociedade, visando ao pleno desenvolvimento da pessoa, seu preparo para o exercício da cidadania e sua qualificação para o trabalho.

A educação é dever de dois: do Estado e da família. Nenhum dos dois é dono sozinho. O segundo lugar é o artigo 229, que fala só dos pais:

Art. 229. Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade.

Aqui não aparece o Estado. O dever de educar está ao lado do dever de criar e de assistir, e o mesmo artigo fecha o ciclo com o dever dos filhos de amparar os pais na velhice. É a família descrita como uma aliança entre gerações, muito perto do Salmo 78.

Três outros pontos da Constituição completam o quadro. O artigo 226 diz que "a família, base da sociedade, tem especial proteção do Estado". O artigo 206 põe entre os princípios do ensino a "liberdade de aprender, ensinar, pesquisar e divulgar o pensamento, a arte e o saber" (inciso II) e o "pluralismo de idéias e de concepções pedagógicas" (inciso III).

As leis abaixo da Constituição seguem a mesma linha:

  • LDB (Lei 9.394/1996), art. 2º: "A educação, dever da família e do Estado". A lei da educação inverte a ordem e põe a família primeiro.
  • ECA (Lei 8.069/1990), art. 22: "Aos pais incumbe o dever de sustento, guarda, convivência, assistência material e afetiva e educação dos filhos menores" (redação dada pela Lei 15.240, de 2025).
  • Código Civil (Lei 10.406/2002), art. 1.634, I: compete aos pais, no exercício do poder familiar, "dirigir-lhes a criação e a educação".

Dirigir. É a palavra exata do Código Civil, e é a mesma ideia de Provérbios 22.6: a direção é dos pais.

Por honestidade, o outro lado também está na lei. O artigo 6º da LDB diz que "é dever dos pais ou responsáveis efetuar a matrícula das crianças na educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade". É por causa desse artigo, e da falta de uma lei que regule o ensino em casa, que a discussão chegou ao Supremo (veja abaixo).

O que diz a Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. 26.3?

A Assembleia Geral da ONU aprovou a Declaração em 10 de dezembro de 1948 (Resolução 217 A (III)). O artigo 26 trata da instrução, e o terceiro parágrafo é curto:

3. Os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução que será ministrada a seus filhos.

Prioridade diante de quem? Diante de todos os outros que poderiam querer escolher: a escola, o partido, o governo. O artigo 16.3 da mesma Declaração diz por quê: "A família é o núcleo natural e fundamental da sociedade e tem direito à proteção da sociedade e do Estado."

A data ajuda a ler o texto. Doze anos antes, em 1º de dezembro de 1936, a Alemanha tinha publicado a lei da Juventude Hitlerista, cujo § 2º mandava que toda a juventude alemã fosse educada, "além de na casa paterna e na escola", dentro da organização do partido, "no espírito do nacional-socialismo" (Reichsgesetzblatt 1936, I, p. 993). O mundo que escreveu a Declaração tinha acabado de ver o que acontece quando o Estado decide que a formação moral das crianças é assunto dele.

A Declaração é uma declaração, e não um tratado. Mas o mesmo direito entrou depois em dois pactos da ONU que o Brasil promulgou em 6 de julho de 1992:

  • Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, art. 13 (Decreto 591/1992): os Estados se comprometem a respeitar a liberdade dos pais "de escolher para seus filhos escolas distintas daquelas criadas pelas autoridades públicas" e "de fazer com que seus filhos venham a receber educação religiosa ou moral que esteja de acordo com suas próprias convicções".
  • Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, art. 18.4 (Decreto 592/1992): os Estados se comprometem a respeitar a liberdade dos pais "de assegurar a educação religiosa e moral dos filhos que esteja de acordo com suas próprias convicções".

O que garante o Pacto de San José, art. 12.4?

A Convenção Americana sobre Direitos Humanos foi assinada em San José da Costa Rica em 22 de novembro de 1969. O Brasil depositou a carta de adesão em 25 de setembro de 1992 e a promulgou pelo Decreto 678, de 6 de novembro de 1992. O artigo 12 trata da liberdade de consciência e de religião, e o item 4 diz:

4. Os pais, e quando for o caso os tutores, têm direito a que seus filhos ou pupilos recebam a educação religiosa e moral que esteja acorde com suas próprias convicções.

O lugar onde o item foi posto diz muito. Ele não está num artigo sobre escola: está no artigo sobre religião. Para a Convenção, educar os filhos na própria fé é parte da liberdade religiosa dos pais.

E esse texto tem força no Brasil. Em 3 de dezembro de 2008, no RE 466.343, o Supremo Tribunal Federal decidiu que os tratados de direitos humanos aprovados sem o rito especial do art. 5º, § 3º, da Constituição valem acima das leis comuns e abaixo da Constituição (o chamado status supralegal). O Pacto de San José está nesse grupo. Pela lógica dessa decisão, lei comum que contrarie o artigo 12.4 não prevalece sobre ele.

DocumentoAnoO que diz sobre os paisForça no Brasil
Constituição, art. 2051988educação é dever do Estado e da famílianorma constitucional
Constituição, art. 2291988os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menoresnorma constitucional
Código Civil, art. 1.634, I2002cabe aos pais dirigir a criação e a educação dos filhoslei federal
Declaração Universal, art. 26.31948os pais têm prioridade de direito na escolha da instruçãodeclaração da ONU, sem força de tratado
PIDESC, art. 131966 (Brasil, 1992)liberdade de escolher escolas distintas das públicas e educação religiosa e moral conforme as convicções dos paistratado promulgado (Decreto 591/1992)
Pacto de San José, art. 12.41969 (Brasil, 1992)educação religiosa e moral conforme as convicções dos paistratado promulgado (Decreto 678/1992), supralegal
1948ano em que a ONU escreveu que os pais têm "prioridade de direito na escolha do gênero de instrução" dos filhosONU, Declaração Universal dos Direitos Humanos, art. 26.3, 1948
1992ano em que o Brasil promulgou o Pacto de San José, que garante aos pais a educação religiosa e moral dos filhos segundo as convicções delesDecreto 678, de 6/11/1992

Se a lei diz tudo isso, por que o STF não reconheceu o ensino domiciliar?

Porque a pergunta que chegou ao Supremo foi outra. Em 12 de setembro de 2018, no RE 888.815 (Tema 822 da repercussão geral), o plenário fixou a tese de que "não existe direito público subjetivo do aluno ou de sua família ao ensino domiciliar, inexistente na legislação brasileira".

O ponto está no fim da frase: "inexistente na legislação brasileira". A maioria acompanhou o voto do ministro Alexandre de Moraes, para quem a Constituição não proíbe o ensino domiciliar, mas exige uma lei que o regule, com avaliação e fiscalização. Enquanto essa lei não existe, a família não pode exigir o reconhecimento na Justiça. O que diz a lei hoje, ponto por ponto, está em educação domiciliar é legal no Brasil?, e a acusação mais usada contra as famílias está respondida em homeschooling é crime de abandono intelectual?.

Uma coisa a decisão não fez: não tirou dos pais o dever do artigo 229, nem o direito dos tratados. A discussão no tribunal é sobre a forma (onde e como a criança estuda, e como o Estado confere). A direção da educação, que a Bíblia, a Constituição e os pactos põem nas mãos dos pais, nunca esteve em julgamento.

O que isso muda na casa de quem já educa os filhos?

Muda menos o horário e mais o olhar. Cinco coisas saem diretamente dos textos acima:

  1. O coração vem antes da apostila. Deuteronômio 6.6 vem antes do 6.7. O que o pai e a mãe não amam, não conseguem passar adiante.
  2. A pergunta da criança é a melhor aula. Deuteronômio 6.20 prevê a pergunta e manda responder. A pergunta da hora de dormir não é interrupção do plano: é o plano.
  3. A história da família faz parte do currículo. O Salmo 78 manda contar o que Deus fez. Avós, mudanças, dificuldades, livramentos: a criança aprende quem é ouvindo de onde veio.
  4. O pai também ensina. Efésios 6.4 fala com ele. Uma leitura em voz alta à noite, uma conversa no carro, o conserto feito junto no sábado.
  5. Firmeza sem desânimo. Colossenses 3.21 lembra que o filho desanimado não aprende. Disciplina, sim; irritação constante, não.

Quem quer dar a esse dia a dia um desenho mais firme encontra a tradição que a Igreja usou por séculos em o que é educação clássica e o Trivium, e quem está nas primeiras semanas pode começar por como começar a educar em casa.

E para a discussão no almoço de domingo, a resposta cabe em duas linhas. Quando alguém disser que educação é assunto do Estado, o artigo 205 responde que é dever "do Estado e da família", e o artigo 229 responde que educar os filhos é dever dos pais. Antes de qualquer um deles, Deuteronômio já tinha dito o mesmo.

Perguntas frequentes

Qual versículo diz que os pais são os primeiros educadores?

Nenhum versículo usa essa expressão, que vem da declaração Gravissimum Educationis, do Concílio Vaticano II (1965). A base bíblica está em Deuteronômio 6.6-7, Deuteronômio 11.19, Provérbios 1.8, Provérbios 22.6 e Efésios 6.4, todos dando aos pais a tarefa de ensinar os filhos.

A Bíblia manda tirar os filhos da escola?

Não. A Bíblia não proíbe mestres nem escolas: Paulo foi instruído por Gamaliel (Atos 22.3). Ela proíbe que os pais entreguem a responsabilidade. A família pode delegar tarefas, mas continua respondendo a Deus pela direção da educação dos filhos.

O que diz o artigo 229 da Constituição?

"Os pais têm o dever de assistir, criar e educar os filhos menores, e os filhos maiores têm o dever de ajudar e amparar os pais na velhice, carência ou enfermidade." O artigo 205 completa: a educação é dever do Estado e da família.

A Declaração Universal dos Direitos Humanos garante o homeschooling?

Ela não cita o ensino em casa. O artigo 26.3 diz que os pais têm prioridade de direito na escolha do gênero de instrução dos filhos. No Brasil, o STF decidiu em 2018 (RE 888.815) que o ensino domiciliar precisa de lei própria para ser exigido.

O Pacto de San José vale no Brasil?

Vale. O Brasil aderiu em 25 de setembro de 1992 e promulgou a Convenção pelo Decreto 678, de 6 de novembro de 1992. Desde o RE 466.343 (2008), o STF considera que esse tipo de tratado de direitos humanos fica acima das leis comuns.

Fontes

  1. Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada, 2ª ed., Sociedade Bíblica do Brasil, 1993 (Deuteronômio 6): https://www.bibliaonline.com.br/ara/dt/6
  2. Constituição da República Federativa do Brasil, arts. 205, 206, 226 e 229, 1988: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/constituicao/constituicao.htm
  3. Lei 9.394, Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional, arts. 2º e 6º, 1996: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l9394.htm
  4. Lei 8.069, Estatuto da Criança e do Adolescente, art. 22, 1990 (redação da Lei 15.240/2025): https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/l8069.htm
  5. Lei 10.406, Código Civil, art. 1.634, 2002: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/leis/2002/l10406compilada.htm
  6. ONU, Declaração Universal dos Direitos Humanos, arts. 16 e 26, 1948 (texto em português no UNICEF Brasil): https://www.unicef.org/brazil/declaracao-universal-dos-direitos-humanos
  7. Decreto 678, promulga a Convenção Americana sobre Direitos Humanos (Pacto de San José da Costa Rica), 1992: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/d0678.htm
  8. Decreto 591, promulga o Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais, 1992: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0591.htm
  9. Decreto 592, promulga o Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos, 1992: https://www.planalto.gov.br/ccivil_03/decreto/1990-1994/d0592.htm
  10. STF, RE 888.815 (Tema 822), julgado em 12/09/2018: https://noticias.stf.jus.br/postsnoticias/stf-nega-recurso-que-pedia-reconhecimento-de-direito-a-ensino-domiciliar/
  11. STF, RE 466.343, julgado em 03/12/2008: https://jurisprudencia.stf.jus.br/pages/search?base=acordaos&classeNumeroIncidente=%22RE%20466343%22
  12. Concílio Vaticano II, Declaração Gravissimum Educationis, n. 3, 1965: https://www.vatican.va/archive/hist_councils/ii_vatican_council/documents/vat-ii_decl_19651028_gravissimum-educationis_po.html
  13. Pio XI, Encíclica Quadragesimo Anno, n. 79, 1931: https://www.vatican.va/content/pius-xi/pt/encyclicals/documents/hf_p-xi_enc_19310515_quadragesimo-anno.html
  14. Martinho Lutero, Catecismo Menor, 1529 (texto alemão e inglês em Philip Schaff, The Creeds of Christendom): https://ccel.org/ccel/schaff/creeds3.iii.iii.html
  15. Gesetz über die Hitler-Jugend, 1º/12/1936, Reichsgesetzblatt 1936, I, p. 993 (German History in Documents and Images): https://germanhistorydocs.org/de/deutschland-nationalsozialismus-1933-1945/gesetz-ueber-die-hitler-jugend-1-dezember-1936

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