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Escola de Atenas: quem é cada um no afresco de Rafael

Quem é cada figura da Escola de Atenas, de Rafael: Platão, Aristóteles, Sócrates, Pitágoras, Heráclito. O que tem fonte e o que os estudiosos ainda discutem.

Por Redação Educando em Casa · · 11 min de leitura

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O afresco A Escola de Atenas, de Rafael: Platão e Aristóteles no centro, sob grandes arcos, cercados de filósofos na escadaria
A Escola de Atenas, Rafael Sanzio, afresco pintado entre 1508 e 1511 na Stanza della Segnatura, Palácio Apostólico, Vaticano. Domínio público (via Wikimedia Commons).

Quem entra na sala do Vaticano onde está a Escola de Atenas costuma fazer a mesma coisa: para no meio, levanta a cabeça e começa a contar rostos. São dezenas de homens conversando, escrevendo, discutindo, deitados na escada. Logo vem a pergunta que move esta página: quem é cada um?

A resposta curta

A Escola de Atenas é o afresco que Rafael pintou na Stanza della Segnatura, no Vaticano, a sala que o papa Júlio II usava como biblioteca e que Rafael decorou entre 1508 e 1511. Representa a Filosofia. No centro estão Platão, com o livro Timeu, e Aristóteles, com a Ética. Em volta, a tradição reconhece Sócrates, Pitágoras, Diógenes, Heráclito, Euclides, Zoroastro, Ptolomeu e o próprio Rafael. Mas Rafael não escreveu nenhum nome na parede: fora os dois do centro, que têm o título do livro na mão, toda identificação vem de quem descreveu a obra depois, e várias ainda são discutidas.

O que é a Escola de Atenas e onde ela está?

Júlio II, papa de 1503 a 1513, fez da sala sua biblioteca e escritório, e Rafael a pintou entre 1508 e 1511, segundo os Museus Vaticanos. As paredes seguem um plano provavelmente pensado por um teólogo: o Verdadeiro, o Bom e o Belo. A verdade sobrenatural está na Disputa do Santíssimo Sacramento (a Teologia); a verdade alcançada pela razão, na Escola de Atenas (a Filosofia). O Bom está nas Virtudes e na Lei; o Belo, no Parnaso.

O nome "Escola de Atenas" não é de Rafael. A Pinacoteca Ambrosiana, de Milão, que guarda o desenho preparatório, diz que o título mais exato seria A Filosofia, como indica a figura pintada no teto, logo acima: ela segura os livros Naturalis e Moralis (a natureza e os costumes), e dois meninos erguem as placas Causarum e Cognitio, o conhecimento das causas. Em 1695, o historiador Giovanni Pietro Bellori já registrava "Escola de Atenas" como o nome que todos usavam.

Por que Platão aponta para cima e Aristóteles para a frente?

Os dois estão no centro do quadro, contra o céu aberto do último arco. Platão, de barba branca, leva o Timeu e aponta para o alto. Aristóteles apoia a Ética na coxa e estende a mão aberta, com a palma para baixo.

Bellori explica assim: Platão aponta para o céu e para a causa suprema, porque no Timeu trata do universo e das coisas naturais como imagens das divinas. Aristóteles estende a mão "em ato de pacificador", o gesto da ética, que modera as paixões pela virtude. Juntos, mostram as duas partes da filosofia que a figura do teto segura: a natural e a moral.

A leitura moderna mais comum diz quase o mesmo: Platão indica o mundo das ideias; Aristóteles, a observação deste mundo. A Ambrosiana registra outra, a de Brandt: a mão de Aristóteles seria o meio-termo entre os extremos. São leituras. O fato está na mão de cada um: os títulos dos livros.

Quem é cada figura da Escola de Atenas?

A tabela vai da esquerda para a direita e diz quem sustenta cada identificação: Vasari, nas Vidas de 1568; Bellori, em 1695; e as duas instituições que guardam o afresco e o desenho, os Museus Vaticanos e a Ambrosiana.

Onde estáQuem seriaQuem dizFirmeza
Estátuas nos nichosApolo, com a lira; Minerva, com o escudoBellorifirme
Centro, dedo para cimaPlatão, com o TimeuVasari; Bellori; Vaticanofirme
Centro, mão abertaAristóteles, com a ÉticaVasari; Bellori; Vaticanofirme
À esquerda do centro, contando nos dedosSócrates, voltado para um jovem de armaduraBellori (o jovem seria Alcibíades); gravura de VolpatoSócrates, firme
Primeiro plano, à esquerda, escrevendo num livroPitágoras, com a tabuleta das consonâncias musicaisBellori; Vaticanofirme
Atrás de Pitágoras, de branco, olhando para foraFrancesco Maria della Rovere, sobrinho do papaBellori, 1695discutido
Primeiro plano, apoiado num bloco de mármoreHeráclito, com feições de MichelangeloVaticanodiscutido
Deitado na escada, com a tigelaDiógenesVasari; Bellori; Vaticanofirme
Primeiro plano, à direita, curvado com o compassoEuclides, com o rosto de BramanteVaticano; Ambrosiana; Bramante já em Vasarinome discutido
Jovem de braços abertos junto ao compassoFederico II Gonzaga, duque de MântuaVasari, 1568só Vasari
De frente, com o globo do céuZoroastroVaticano; Ambrosianadiscutido
De costas, com coroa e o globo da TerraPtolomeuVaticano; Ambrosianadiscutido
No canto direito, de gorro preto, olhando para foraRafael, o autorVasari; Bellori; Vaticanofirme
Ao lado de Rafaelo pintor SodomaAmbrosiana, 2019Vasari não diz quem é

Pitágoras escreve sentado, e um jovem segura diante dele uma tabuleta com as palavras gregas diapason, diapente e diatessaron: a oitava, a quinta e a quarta da música, as proporções em que, diz Bellori, ele fundou sua filosofia.

Sócrates é o calvo de nariz achatado que toca com dois dedos da mão direita o indicador da esquerda, como quem enumera argumentos (Bellori).

Diógenes, o cínico, está largado no degrau, meio despido. Vasari já elogiava a "negligência" da roupa, que combina com o personagem. Rafael se pintou olhando para nós: fez o retrato com um espelho, conta Vasari.

Quais identificações os estudiosos ainda discutem?

As discussões começaram cedo. Vasari viu na parede teólogos e evangelistas, que não estão lá; Bellori aponta que ele confundiu esta pintura com a Disputa. E conta que uma gravura de Agostino Veneziano, de 1524, já transformava Pitágoras em São Marcos.

Heráclito e Michelangelo. A figura pensativa apoiada no bloco de mármore não está no desenho preparatório guardado em Milão. A Ambrosiana diz que Rafael a acrescentou no fim, que "provavelmente" é Heráclito e que a tradição vê nela Michelangelo, embora a crítica de hoje prefira chamá-la só de O Pensativo. Bellori a descreve sem lhe dar nome. Segundo a historiadora Maria H. Loh, a ligação com Michelangelo é invenção moderna, proposta em 1941 pelo estudioso Deoclecio Redig de Campos.

Platão com o rosto de Leonardo. A Ambrosiana afirma que Platão tem as feições de Leonardo da Vinci, e muitos guias repetem. Nem Vasari nem Bellori dizem isso. É tradição, não documento.

Euclides ou Arquimedes. Vasari diz só que o homem curvado com o compasso "é o arquiteto Bramante". Bellori dá a essa figura o nome de Arquimedes, com o rosto de Bramante, desenhando um hexágono feito de dois triângulos. Hoje os Museus Vaticanos e a Ambrosiana o chamam de Euclides. O retrato de Bramante é antigo; o nome do grego mudou.

Zoroastro e Ptolomeu. Bellori achava que o de costas, com a coroa, era Zoroastro, rei dos bactrianos, e que o do globo celeste representava os caldeus. Os Museus Vaticanos e a Ambrosiana leem ao contrário: Zoroastro é quem segura o céu; Ptolomeu, de costas, segura a Terra.

A figura de branco. Bellori, em 1695, viu nela Francesco Maria della Rovere, duque de Urbino e sobrinho do papa, então com 20 anos. Uma gravura de 1841, do acervo real britânico, a chama de "Federico da Urbino". A leitura da internet, a de que seria Hipátia, a matemática de Alexandria, não aparece em Vasari nem em Bellori.

285 × 804 cmo tamanho do desenho preparatório da Escola de Atenas, o maior cartão do Renascimento que chegou até nósPinacoteca Ambrosiana, 2019
1524ano da gravura de Agostino Veneziano que já transformava Pitágoras em São MarcosBellori, Descrizzione, 1695

Por que um papa pôs filósofos pagãos na própria biblioteca?

Porque a Igreja não tratou a razão como inimiga da fé. A sala diz isso: a verdade revelada numa parede, a que a razão alcança na outra, e no teto a Teologia e a Filosofia uma diante da outra, como descreve Bellori. A Ambrosiana resume: a filosofia aparece como premissa necessária para o conhecimento da teologia, na concepção da escolástica medieval. Degrau, e não rival.

Essa ideia tem uma raiz antiga. Agostinho, em A doutrina cristã (livro II, capítulo 40), escreveu que, se os filósofos, "e especialmente os platônicos", disseram algo verdadeiro e de acordo com a fé, o cristão não deve fugir disso, mas tomá-lo para o seu uso. A imagem que ele usa é a do Êxodo: na saída do Egito, os israelitas levaram os objetos de prata e de ouro dos egípcios. "E despojaram os egípcios" (Êxodo 12.36, ARA).

O limite está na mesma Bíblia. "Cuidado que ninguém vos venha a enredar com sua filosofia e vãs sutilezas" (Colossenses 2.8, ARA). E a razão do limite vem poucos versículos antes: em Cristo "todos os tesouros da sabedoria e do conhecimento estão ocultos" (Colossenses 2.3, ARA). A Escola de Atenas cabe dentro dessa ordem. Os gregos sobem a escada, mas a sala é de um papa, e na mesma sala a Teologia aponta para a Eucaristia.

O que a Escola de Atenas ensina a quem educa os filhos em casa?

Ensina, antes de tudo, que o conhecimento é uma conversa entre gerações. Rafael juntou na mesma escada homens que viveram em séculos diferentes. Bellori diz que foi de propósito: o pintor quis reunir os estudos e as escolas dos filósofos mais ilustres, "não de uma só época", para formar a imagem da Filosofia. É o que a educação clássica faz quando põe a criança para ler os antigos: ela entra numa conversa que começou muito antes dela.

Ensina também a ordem do aprendizado. Bellori nota um detalhe que passa despercebido: um discípulo deixa o grupo do geômetra, no plano de baixo, e sobe a escada em direção a Platão e Aristóteles. Para ele, Rafael lembrava o costume dos gregos, que subiam por graus da matemática para as ciências especulativas. A escada do quadro é um currículo: primeiro a base, depois o alto.

Ensina, ainda, a olhar. Em volta do compasso, Bellori descreve quatro jovens, cada um num momento de quem aprende: um mede com os olhos, outro acompanha o triângulo com os dedos, outro explica ao colega, outro se debruça de braços abertos. Ver isso devagar com um filho vale por uma aula. E a Filosofia do teto segura o livro da natureza junto com o dos costumes: saber sem formar o caráter seria saber pela metade.

Por fim, ensina sobre transmissão. Em 1626, o cardeal Federico Borromeo comprou o desenho preparatório como material de estudo para os alunos da Accademia Ambrosiana, segundo a própria Ambrosiana. O que chegou até nós passou de mão em mão, como os livros que os monges copistas guardaram. E a casa é o primeiro lugar dessa passagem: são os pais, os primeiros educadores, que mostram à criança uma obra como esta. Outra pintura que ensina virtude é o Juramento dos Horácios.

Perguntas frequentes

Quem pintou a Escola de Atenas e quando?

Rafael, na Stanza della Segnatura, no Vaticano. Os Museus Vaticanos datam as pinturas da sala de 1508 a 1511.

Quem está no centro da Escola de Atenas?

Platão, que aponta para o alto com o Timeu, e Aristóteles, de mão aberta, com a Ética. Os títulos dos livros são os únicos nomes escritos no quadro.

Rafael aparece na Escola de Atenas?

Sim, no canto direito, de gorro preto, olhando para quem vê a obra. Vasari, em 1568, conta que ele se retratou com um espelho.

Michelangelo está na Escola de Atenas?

A tradição diz que sim, em Heráclito, a figura apoiada no bloco de mármore, que não existe no desenho preparatório. A identificação é discutida: a historiadora Maria H. Loh a atribui a uma proposta de 1941.

Hipátia está na Escola de Atenas?

Não há documento que sustente. Bellori, em 1695, viu na figura de branco Francesco Maria della Rovere, sobrinho do papa; Hipátia não aparece nas descrições antigas.

Por que o nome é Escola de Atenas?

O nome não é de Rafael; o tema é a Filosofia, como mostra a figura do teto. Em 1695, Bellori já o registrava como o nome que todos usavam.

Fontes

  1. Musei Vaticani, Stanza della Segnatura (história da sala, datas e programa), consultado em 2026: https://www.museivaticani.va/content/museivaticani/it/collezioni/musei/stanze-di-raffaello/stanza-della-segnatura/stanza-della-segnatura.html
  2. Musei Vaticani, Scuola di Atene (as figuras), consultado em 2026: https://www.museivaticani.va/content/museivaticani/it/collezioni/musei/stanze-di-raffaello/stanza-della-segnatura/scuola-di-atene.html
  3. Giorgio Vasari, Vida de Rafael, nas Vidas dos artistas, edição de 1568 (tradução inglesa de Gaston du C. de Vere, 1912 a 1915, vol. 4), Project Gutenberg: https://www.gutenberg.org/ebooks/28420
  4. Giovanni Pietro Bellori, Descrizzione delle imagini dipinte da Rafaelle d'Urbino nelle camere del Palazzo Apostolico Vaticano, Roma, 1695, Internet Archive: https://archive.org/details/descrizzionedell00bell
  5. Veneranda Biblioteca Ambrosiana e Electa, Il Raffaello dell'Ambrosiana. In principio il Cartone (dossiê de imprensa e ficha do catálogo de Alberto Rocca), 2019: https://www.electa.it/content/uploads/2018/10/CARTELLA-STAMPA_-Il-Raffaello-dellAmbrosiana.pdf
  6. Victoria and Albert Museum, cópia de Cesare Mariannecci da Filosofia do teto da Stanza della Segnatura, 1864: https://collections.vam.ac.uk/item/O206199/
  7. Royal Collection Trust, Jean Nicolas Laugier, Busto de um jovem de cabelos longos (da Escola de Atenas), gravura, 1841: https://www.rct.uk/collection/852534
  8. Royal Collection Trust, Giovanni Volpato, A Escola de Atenas, com chave de identificação, gravura, c. 1775 a 1785: https://www.rct.uk/collection/852524
  9. Maria H. Loh, Renaissance Faciality, Oxford Art Journal, vol. 32, n. 3, 2009, p. 341 a 363: https://www.jstor.org/stable/25650874
  10. Decameron Online, USC Dornsife, Heraclitus and Diogenes in Raphael's School of Athens (resumo do argumento de Loh): https://dornsife.usc.edu/decameronline/?p=345
  11. Agostinho de Hipona, A doutrina cristã, livro II, cap. 40 (trad. inglesa de James Shaw, Nicene and Post-Nicene Fathers, 1887), New Advent: https://www.newadvent.org/fathers/12022.htm
  12. Bíblia Sagrada, Almeida Revista e Atualizada (ARA), Êxodo 12.36 e Colossenses 2.3 e 2.8: https://www.bibliaonline.com.br/ara/cl/2

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